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sábado, 17 de outubro, 2026

Rota de ministros, Estado fica sem projetos e recursos

Sete representantes de Bolsonaro passaram por MS em quase dois meses

28/08/2019 10h10 – Por: CORREIO DO ESTADO

Em 58 dias, sete ministros da administração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) estiveram em Mato Grosso do Sul. Mas nem mesmo os considerados “da casa”, por serem sul-mato-grossenses, Tereza Cristina e Luiz Henrique Mandetta, ambos do DEM, conseguiram emplacar grandes projetos e liberar recursos de peso para o Estado.

Foram visitas de representantes de ministérios diversos, como Ciência e Tecnologia Mulher e Turismo, entre outros. Eles participaram de agendas que incluíram entrega de veículos, palestra e a largada do Rally dos Sertões, no fim de semana passado.

A semana mais movimentada foi entre os dias 22 e 26 de julho, com três ministros: Mandetta e Tereza – ambos em um único dia – e por último Marcos Pontes – da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Mandetta e Tereza foram os que mais tiveram “compromissos” na Capital desde quando assumiram seus ministérios, cada um participou de pelo menos três.

A agenda do ministro da Saúde, Mandetta, e a ministra da Agricultura, Tereza, em Campo Grande, no dia 22 de julho, foi para entrega de quatro caminhões de lixo para cidades do interior. Em uma manhã, o ex-deputado federal participou de agendas na Unidade de Saúde da Família (USF) Iracy Coelho – o local foi lançado como o primeiro a fazer parte do programa Saúde na Hora do País, com horário de atendimento estendido – e depois encontrou a ministra mais bem avaliada da atual administração no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

No encontro mais formal, ambos foram muito elogiados e lembrados por quase todos os que usaram o microfone como os dois ministros mais bem avaliados do governo federal, de acordo com levantamento do Congresso em Foco divulgado na semana anterior. A visita foi para formalizar a liberação de R$ 167 milhões para a saúde. Mas todo o recurso foi negociado em 2018, inclusive com emendas feitas por Mandetta e Tereza enquanto ainda eram deputados federais.

O único valor “novo” em recursos foi o de R$ 9,5 milhões – quantia inferior aos R$ 25 milhões solicitados pela prefeitura da Capital –, que deveriam ser usados no combate à dengue. Mas, por conta da demora, o repasse foi apenas para “tapar o buraco” do que já havia sido gasto. “Até agora, de liberação [de recursos] nada. Nós recebemos um retorno de gastos, que a gente fez na época da dengue, do Ministério da Saúde”, disse o prefeito Marcos Trad (PSD).

Já no dia 26 de julho, foi a vez do astronauta e ministro – talvez o mais popular e requisitado para fotos – Pontes participar do encerramento da 71ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A visita na Capital ocorreu na mesma semana em que o presidente Bolsonaro criticou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre as queimadas, que agora ganharam mais polêmica por conta da Amazônia. Na época, Pontes tomou partido e apoiou a posição do presidente – e, em seguida, o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, acabou exonerado do cargo.

COMEÇO

As visitas de cortesia tiveram início no dia 28 de junho, com a agenda da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Ela entregou sete viaturas para conselhos tutelares do interior e fez um “clamor”, chamando a responsabilidade dos parlamentares presentes para que garantissem emenda para beneficiar o município de Selvíria, que ficou sem o veículo.

Já o ministro da Justiça, Sergio Moro, passou pelo Estado no dia 3 de junho. O avião dele pousou em Dourados, a 230 quilômetros da Capital, de onde a comitiva ministerial partiu para Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. A agenda de Moro era com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, para lançar a Operação Nova Aliança e também para tratar da integração de forças dos três países – além do Paraguai e Brasil, faz parte a Argentina – na luta contra o narcotráfico e o crime organizado. Mas Benitez acabou não conseguindo chegar ao compromisso.

As últimas duas agendas de ministros ocorreram na Capital na semana passada. No dia 22, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que pretende abrir um escritório do Itamaraty em Campo Grande, para discutir especificamente questões que envolvam o corredor rodoviário que vai ligar os oceanos Pacífico e Atlântico.

No sábado (24), foi a vez do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, visitar a Capital, onde participou da abertura da 27ª edição do Rally dos

Ministro da Ciência e astronauta Marcos Pontes foi tietado durante sua passagem pela Capital, no dia 26 de julho - Foto: Valdenir Rezende / Arquivo / Correio do Estad