08/07/2014 22h40
Deise Regina Basquera Prado formou-se em enfermagem em Curitiba e é pós graduanda em Obstetrícia
Dora Nunes
A enfermeira e pós graduanda em Obstetrícia Deise Regina Basquera Prado, foi a entrevistada do Programa FM em Notícias apresentado pelo jornalista Tião Prado na rádio 91.5 FM e abordou um tema que vem sendo bastante discutido atualmente que é o parto normal humanizado.
Durante a entrevista, Deise Regina lembrou que desde criança carregava o sonho de ser “parteira”, por isso optou pela carreira de enfermagem com especialização na área obstetra, já que acredita ser o parto normal humanizado a melhor opção para as mulheres, contrariando a cirurgia de cesárea que é a mais praticada no País, pois enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil o índice é de 54%, chegando a 98% na rede privada. A enfermeira lembrou que esses dados são muito tristes para a realidade uma vez que aumenta em 3 vezes o risco de morte para a mãe e o bebê, ressaltando que a cesariana agendada não poderia ser feita e não poderia ser uma escolha da mulher porque a mesma não tem benefício nenhum com esse tipo de parto.
Falando sobre o Parto Humanizado, a enfermeira Deise lembrou que o parto humanizado é aquele que a mulher tem seus direitos garantidos e onde o profissional da saúde respeita a escolha dela, tendo a gestante o direito de parir do modo que quiser, na posição que quiser, podendo tomar líquidos e comer algo durante o trabalho de parto e nem sofrer nenhum tipo de violência obstétrica, resumindo, no parto humanizado, a mulher que está parindo tem o controle da situação.
Questionada sobre o pequeno número de partos humanizados, Deise Regina disse que alguns profissionais da saúde são resistentes a mudanças, alguns até desatualizados e que não procuram estudar a situação atual. “Eles ficam naquela de que o que aprenderam a 30 anos atrás sempre deu certo e por isso continuam a fazer”, afirmou a entrevistada.
“Primeiramente é necessário a conscientização dos profissionais de saúde porque não adianta encorajar a mulher para o parto humanizado e ela chega no serviço e eles fazem o que querem, então é primeiro conscientizar os profissionais e depois conscientizar as mulheres”, lembrou Deise Regina.
Falando sobre os direitos da gestante, o primeiro é o de ter um acompanhante de livre escolha, pois pode ser homem ou mulher, obedecendo a Lei 11108/2005, durante o pré-parto, parto e pós-parto, porém, a enfermeira Deise lembrou que em muitos lugares essa questão não é obedecida e as mulheres não tem ninguém para ficar ao lado delas.
Nos últimos dias, aconteceu um fato bastante interessante na novela Em Família, onde a personagem entrou em trabalho de parto e acabou em uma sala de cirurgia fazendo uma cesariana. “ As ativistas do Parto Normal no Brasil até agora não entenderam a situação colocada na novela e do porque da cesariana, sendo que o bebê já estava nascendo; é preciso alertar que cesariana só se faz quando é realmente necessário”, afirmou a entrevistada.
Mas afinal, quando a cesariana é necessária? Deise Regina disse que existem casos bem específicos que é quando a mulher é HIV positivo; nos casos em que a placenta estiver no colo do útero impedindo a passagem do bebê, quando a mãe tem herpes genital com lesão ativa durante o trabalho de parto e alguns outros casos, mas não chega a 10. Em relação a dor, existe vários métodos não farmacológicos para alívio da dor e conforme as palavras da enfermeira Deise, vai desde o chuveiro até o controle da respiração, massagem, caminhada, enfim, nunca deitar a gestante e sim deixa-la em movimento.” A analgesia de parto é um direito da mulher no SUS, mas ninguém sabe ou não se conta, então, a gestante será avaliada e se realmente necessitar, receberá a anestesia”, explicou Deise Regina.
De acordo com estudos, 95% das mulheres brasileiras tem condições de parir normalmente, daí a importância do pré-natal que serve para verificar vitalidade fetal, como está a saúde do bebê e da mãe. “Se a criança vai nascer naturalmente ou não tem que se ter paciência, já que a mulher pode passar 48 horas em trabalho de parto ou até 4 dias, enquanto que em uma cesárea o tempo estimado é de uma hora. Outro ponto importante é que no parto natural a recuperação da mãe é na hora, diferente da cesariana, pois muitos não sabem, mas é uma cirurgia de grande porte, com riscos e leva até 6 meses para cicatrizar totalmente as 7 camadas que foram cortadas”, lembrou Deise Regina Basquera Prado.
Outro ponto abordado foi o que é o DOULA, onde Deise explicou que Doula é uma mulher que acompanha o parto, dando orientação e ajudando no alívio da dor e do emocional, enfim acompanha todo o pré-natal e pós-parto na amamentação e para ser uma DOULA é necessário um curso de 4 a 5 dias, onde se aprende um pouco de fisiologia, anatomia do parto e como ajudar a gestante.
Falando sobre a questão “pele a pele” e amamentação, Deise Regina informou que no dia 7 de maio desse ano saiu uma portaria do Ministério da Saúde (371) que preconiza o contato pele a pele de imediato entre a mãe e o bebê, então, nasce a criança e ela deve ser imediatamente levada ao peito da mãe onde ficará por 1 hora, isso ajuda o contato e a primeira amamentação.
A enfermeira Deise Regina Basquera Prado apresentou sua monografia na faculdade federal de Curitiba-PR no dia 4 de junho e enviou o resumo para a Conferência ECOS ( Congresso Internacional de Parto Humanizado) e este resumo foi aceito e será apresentado no mês de outubro, no Rio de Janeiro e durante a entrevista, a enfermeira recém formada disse estar feliz com o resultado e a aprovação de sua pesquisa em tão importante evento.


