11/03/2014 17h
“Se nada mudar, a PM vai acabar”, avalia representante de sindicato sobre efetivo
“Não é culpa do nosso comando, e sim da Sejusp [Secretaria de Justiça e Segurança Pública] que não está formando gente suficiente.
Douradosnews
“Estamos no limite, se em no máximo uns quatro anos nada mudar, não tivermos concursos que supram efetivamente a necessidade que existe de efetivo, a Polícia Militar vai acabar, porque não vai ter gente para ir para a rua”, avaliou o diretor regional da ACS PM BM MS (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul), Aparecido Lima.
O sindicalista reforçou em detalhes o cenário apontado em matéria publicada o, destacando que o efetivo policial disponível hoje ao 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Dourados é insuficiente para o porte da cidade e ainda a abrangência do batalhão, que atende a Dourados, Caarapó, Douradina, Itaporã e oito distritos da região.
“Não é culpa do nosso comando, e sim da Sejusp [Secretaria de Justiça e Segurança Pública] que não está formando gente suficiente. Estamos em uma condição defasada. Temos uma geração velha de policiais que estão se aposentando e vão se aposentar em poucos anos, tivemos baixas por morte, invalidez, afastamento. Aí eles abrem concurso para 100 vagas, por exemplo, só que nós tivemos baixa de 200. É nesse nível, ou seja, não resolve nada”.
Lima citou vários exemplos que ilustram o baixo efetivo policial de Dourados e o prejuízo desse cenário ao trabalho preventivo da polícia e também ao próprio policial. São 360 policiais no batalhão divididos em diversas atividades, como destacamento para os demais municípios, escolta, policiamento em presídio e unidades educacionais, serviços administrativos em geral, entre outros.
“No fim de semana passado, tínhamos cinco presos no Hospital da Vida e dois policiais foram deslocados para fazer a escolta. Isso acontece com certa frequência, e toda vez que é necessária uma escolta deste tipo, significa uma viatura a menos na rua. Além disso, tem policial que chega a tirar mais de 12 horas de plantão cuidando de preso, porque não tem quem o renda”.
O sindicalista destacou também o impacto da falta de efetivo no trabalho preventivo. Na rua, diariamente, segundo informações do comando do 3º BPM, estão 50 policiais em seis viaturas além das motos e de outros dois veículos: um à disposição do Getam (Grupo Especializado Tático Motorizado) e outra da Força Tática.
“A viatura hoje sai com dois policiais, quando no mínimo deveria sair com três, o que é previsto na legislação inclusive. Você vai fazer uma abordagem, aí um policial precisa cuidar da viatura, e o outro vai abordar sozinho, sem cobertura. É uma condição de risco. Ou sai os dois e deixa a viatura sozinha. É muito complicado. Houve aumento na demanda, acompanhando o crescimento de Dourados que tem muitos bairros novos, a população da área urbana cresceu e a polícia tem que se fazer presente nesses bairros. E como a gente vai fazer um trabalho melhor sem gente? Hoje temos uma situação de ter viatura, mas não ter gente para sair com ela”, questionou Lima.
Por fim, o representante sindical comentou às críticas ao funcionamento 190.
“Existe uma linha morta aqui. As pessoas pensam que o pessoal não atende porque não quer, mas não é isso. É outro problema crítico e absurdo porque a população vê no telefone a chance de salvar sua vida, de sair de um apuro, e quando liga não consegue falar”, finalizou Lima.
Entenda a reclamação:
O roubo que aconteceu na noite desta terça-feira (04), em que a família foi trancada em um dos cômodos da residência, na rua Manoel Santiago, Jardim Universitário, foi denunciado à polícia por pessoas que passavam nas proximidades do local e viram a movimentação.
Uma delas, que pediu para não ser identificado, disse ao Dourados News que foram feitas mais de 10 ligações para a polícia através do 190, de diferentes telefones, e foi com a ajuda do número do Corpo de Bombeiros (193), que eles conseguiram ser atendidos e pediram para que atendessem a ocorrência do crime.
A reclamação das testemunhas é quanto à falha da comunicação.
De acordo com o tenente coronel, Ari Carlos Barbosa, um ramal dos telefones da emergência está mudo e os técnicos não conseguem identificar o problema, “para a pessoa que está ligando, ela escuta chamando, mas para a gente não. Já chamamos a operadora, trocaram a fiação, mas não acham a linha que está com problema, às vezes ligam e cai em Deodápolis, Douradina”.
O Centro Integrado de Operações (Ciops) tem quatro pontos para atendimento, segundo o coronel Barbosa, normalmente, operam com dois atendentes, porém por conta do Carnaval quatro estavam de plantão.
“No momento do crime quatro policias estavam atendendo, mas o telefone não tocou para nós. Não há problemas de estrutura, porque quando ficamos sabendo várias viaturas foram para o local, o problema é técnico e não depende da gente, mas sim de outros fatores. Orientamos para que quando não atender ligar de outro telefone ou celular”, explicou.
Todavia uma vendedora, de 29 anos, também disse à reportagem que na loja onde trabalha já teve problemas e não conseguiu entrar em contato com a polícia.
“Nós já fomos ameaçadas por ‘malandrinhos’ que entram pedindo dinheiro, uma colega disse que não tinha, com isso ele disse que daria uma ‘voadora’ e um tiro nela. Tentamos ligar 4 vezes para o 190, mas não atendeu, fomos na loja do lado e ligamos para a base móvel da PM”, contou.
A vendedora ainda disse que clientes já foram abordados pelos garotos, que pediam dinheiro, e ameaçados quando as pessoas falavam que não tinham. “Já precisamos três vezes, ligamos, mas não atende. Acreditamos que são todos menores, pois eles já foram detidos nas proximidades e voltam nos dias seguintes, daí passam em a loja e ficam nos intimidando”.
“Temos 360 policiais para uma demanda de muito mais que 200 mil habitantes, em uma realidade onde as pessoas estão cada vez mais resolvendo as coisas com muita violência e intolerância”.
A fala acima é do comandante do 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Dourados, tenente coronel Ari Carlos Barbosa, que reafirma a sensação de insegurança reclamada ao Dourados News por muitos leitores.
Segundo o comandante, o efetivo não é o ideal para o Batalhão, que atende a Dourados, Caarapó, Douradina, Itaporã e mais oito distritos da região. E o total de policiais revelado por ele não corresponde especificamente a homens na rua.
Os servidores são divididos em diversas atividades, como destacamento para os demais municípios, escolta, policiamento em presídio e unidades educacionais, serviços administrativos em geral além daqueles que estão em férias e também afastados e em licença por motivos diversos.
“Eu trabalho com o que tenho. A demanda é muito grande, e o efetivo realmente não é suficiente. Dentro do que podemos, desenvolvemos um trabalho muito bom e que nem sempre é reconhecido. Ano passado fomos o único município a reduzir todos os índices de criminalidade. Mas, não podemos negar que é complicado. Para melhorar ainda mais nosso atendimento, eu precisaria de 534 homens, no mínimo”.
Na rua, diariamente estão 50 policiais em seis viaturas além das motos e de outros dois veículos: um à disposição do Getam (Grupo Especializado Tático Motorizado) e outra da Força Tática.
Nas últimas semanas o Dourados News tem divulgado casos de homicídios e assaltos registrados na cidade. Somente neste fim de semana foram três assassinatos, três tentativas de homicídio, e dois assaltos. O comandante concorda que a sensação de insegurança da população tem aumentado.
Apesar de não revelar qual o total de carros disponíveis ao Batalhão [sem contar os que estão a serviço cit
ados acima], ele destacou o que seria ideal para um trabalho preventivo mais abrangente.
“De 12 a 15 viaturas rodando. Não conseguimos, por exemplo, trabalhar para evitar assassinatos e crimes dentro de casa. O policiamento preventivo é, de certo modo, um pouco prejudicado pela falta de efetivo. Temos viaturas, mas faltam pessoas. A viatura hoje desce com dois policiais quando o ideal seria de três a quatro. É uma demanda realmente grande”.




