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domingo, 18 de outubro, 2026

Segurança Nacional: quem vigia nossas fronteiras?

Monitoramento das linhas que separam o país dos vizinhos tem somente 20% do valor previsto

18/11/2019 11h00 – Por: Jornal Brasilia

Com o intuito de fornecer tecnologia de comunicação e vigilância às tropas responsáveis pela defesa da fronteira e integrar as diversas agências responsáveis pelo monitoramento da região, o Exército Brasileiro elaborou em 2012 o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron).

O orçamento total previsto para o programa era de R$ 12 bilhões, com previsão de entrega de R$ 10 bilhões até 2019. Mesmo com a primeira fase do programa já em operação, o orçamento liberado até o momento, porém, foi de apenas R$ 2 bilhões.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o general de divisão Ivan Ferreira Neiva Filho, chefe do Escritório de Projetos Estratégicos do Exército (EPEx), explica que a introdução de tecnologia na vigilância das fronteiras é de vital importância para o atual contexto da região, ainda mais quando se leva em consideração a necessidade de combater à entrada de drogas pelo tráfico.
Modelo colonial

“Até meados do século XX, nós tínhamos fronteiras mortas, que eram vigiadas da mesma forma que no período colonial: o Exército mantinha uma presença física na fronteira, que era monitorada com patrulhamento ostensivo e postos de vigia. Mas nas últimas décadas, a fronteira se tornou viva, com tráfego constante de pessoas e mercadorias, além do surgimento de cidades binacionais. Com isso, veio a necessidade de implementar tecnologia e inteligência na defesa das fronteiras”, explica o general.

A implementação de novas tecnologias principalmente de comunicação e controle de dados nas unidades de fronteira não é um assunto apenas de defesa nacional, mas também de segurança e proteção econômica. O Exército possui poder de polícia nos primeiros 150 km de território em todos os trechos de fronteira do país, e esse raio representa a principal rota de entrada para o tráfico de armas e de drogas.

Contrabando
Além disso, é a rota de passagem de diversos produtos que escapam do controle da Receita Federal. Com o Sisfron, torna-se possível para as unidades coletar dados, tomar decisões rápidas e fornecer informações às entidades civis para que essas rotas sejam devidamente bloqueadas. “O traficante, ao saber que aquela área passou a receber muito mais patrulhamento e que as apreensões ali aumentaram, é obrigado a se expôr em outras áreas. O jogo desequilibrou contra ele”, declara Neiva.

O problema enfrentado pelo Exército é que, sem financiamento, o Sisfron não é capaz de fazer todo o seu serviço.

Somente primeira etapa
Atualmente se encontra em operação apenas a primeira etapa do programa, que monitora um trecho de 650 km de fronteira do Brasil com o Paraguai no Mato Grosso do Sul, entre as cidades de Mundo Novo e Caracol.

As demais fases do programa estão previstas para entrar em atividade em até quatro anos, mas até lá, o resto da fronteira permanece exposto.

“O que acontece: a gente fecha aquela área. Só que mais tarde o traficante desvia e explora outras áreas. Enquanto o programa não expandir, você não consegue fechar a fronteira. Vira uma linha Maginot”, explica o general Ivan Ferreira Neto.

” O que se quer é uma tropa altamente móvel e com muita tecnologia para intervir em tempo hábil nos pontos vulneráveis da fronteira. Queremos flexibilizar a defesa da fronteira, o oposto do que foi a linha Maginot”, continua Ferreira Neto.

Linha Maginot é como era chamado o complexo de fortalezas que protegia a França na fronteira com a Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial. Quando a guerra começou, os alemães deram a volta além da fronteira ao norte pela Bélgica, entrando em território francês sem enfrentar muita resistência.

Custo retornável

O principal obstáculo para a implementação das próximas fases do Sisfron (2, 3 e 3A) é orçamentário. “O Sisfron, quando foi planejado em 2012, tinha uma previsão em valores atuais de custar cerca de R$ 12 bilhões para ser instalado. A expectativa era que já tivéssemos hoje recebido cerca de R$ 10 bilhões. Recebemos R$ 2 bilhões. Com isso, o programa foi obrigado a se estender em mais nove anos para diluir o valor que falta. A nossa expectativa hoje para poder nos próximos quatro anos instalar as fases 2, 3 e 3A é de custar cerca de R$ 3 bilhões”, afirma Neiva.

Apesar de parecer caro, o general afirma que, se alcançados os resultados previstos, o Sisfron é capaz de cobrir o valor investido. “Tem um dado da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo, de um levantamento realizado em 2015, que afirma que o custo anual provocado pela violência no país é de R$ 285 bilhões. Se o Sisfron conseguir reduzir esse gasto em 3,5% em um ano, ele se paga”, defende o general.

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