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Sejusp busca compensações à Polícia Civil por gastos nas investigações do tráfico

26/04/2018 10h50

Estado principal é rota do crime organizado e demandas lotam delegacias

Correio do Estado

A Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) quer compensações à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul pelas despesas com investigações do tráfico de drogas. Segundo o secretário Antônio Carlos Videira, titular da pasta, por negligência do governo federal, que investe pouco em fiscalização nas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai, o Estado se tornou principal rota do crime organizado e sofre por causa do tráfico e crimes correlatos.

Amanhã, Videira se reúne com o ministro da Segurança Pública Raul Jugmann, em Brasília (DF), para tratar o assunto – também participam secretários de outros estados localizados na faixa de fronteira. O titular da Sejusp deve apresentar mais demandas, como reembolso dos custos dos presos do tráfico, manutenção de programas de segurança, isenção de impostos para compra de materiais e viaturas, e destinação direta de recursos.

POLÍCIA CIVIL

O secretário explica que a Polícia Civil está sobrecarregada de inquéritos ligados à distribuição de entorpecentes. “Queremos rediscutir convênio com o governo federal porque a corporação apura os casos e recebe contrapartida ínfima”, explicou Videira. O convênio foi firmado na gestão do ex-secretário Vanturi Jacini e previa que, entre outras medidas, órgãos federais prestassem apoio nas investigações e laudos periciais.

“É a Polícia Civil que faz laudos nos veículos apreendidos, que analisa as drogas levadas para as delegacias, cuida dos presos e tudo isso gera custos com efetivo, transporte e insumos. Quando precisamos de ajuda, temos que esperar a boa vontade”, pontuou. Por este motivo, além de compensação financeira, a Sejusp também quer recursos para construção de nova sede do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (Ialf). “É lá onde são feitos os laudos”.

Uma das principais demandas do Governo do Estado remete desde a gestão deputado José Carlos Barbosa, ex-secretário da Sejusp. Trata-se de indenização por conta dos presos do tráfico, que é alvo de ação judicial. Aproximadamente 40% da massa carcerária de Mato Grosso do Sul, está ligada ao tráfico de drogas e custa mais de R$ 120 milhões aos cofres públicos por ano. “Nossos presídios estão superlotados – 16.173 presos para 8.109 vagas – e vamos discutir a indenização com o ministro”. Outra saída seria a construção de presídios ou a transferência dos internos para seus Estados de origem.

Também está na pauta o pleito de diárias paras os policiais que atuam na fronteira, criação de ata de registro de preço para facilitar a compra de armas, munições, viaturas e insumos, isenção de imposto nas compras de materiais de segurança, celeridade na realização de leilão de bens apreendidos, celeridade no repasse das arrecadações de leilões e destinação direta aos estados de evasão de divisas.

Polícia Civil é responsável por investigar o tráfico de drogas em MS. - Foto: Arquivo/Correio do Estado

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