28/05/2016 08h10
Nas redes sociais, muitos se manifestam sobre o caso ocorrido no Rio de Janeiro, principalmente pela exposição e brutalidade com a qual a vítima foi agredida.
O caso da jovem de 16 anos vítima de estupro coletivo praticado por pelo menos 30 homens no Rio de Janeiro (RJ), inclusive com vídeo publicado por alguns dos agressores em redes sociais, tem provocado indignação e comoção em todo o país, relembre aqui. Sem a mesma repercussão nacional, nem a tamanha comoção e manifestação de autoridades na época, inclusive de sul-mato-grossenses, casos semelhantes já aconteceram em Dourados, mas acabaram “esquecidos” e o mais agravante: os casos de estupro ainda acontecem de forma “recorrente”.
Nas redes sociais, muitos se manifestam sobre o caso ocorrido no Rio de Janeiro, principalmente pela exposição e brutalidade com a qual a vítima foi agredida.
A comoção é de pessoas de todo o país, inclusive de Dourados, além de autoridades e entidades representativas que tem se manifestado tanto por postagens quanto por notas oficiais encaminhadas à imprensa.
Tamanha repercussão faz lembrar casos semelhantes, que ocorreram mais próximo dos douradenses, sem que tivesse a mesma repercussão ou debate que tomou o caso carioca.
Casos Violentos
Uma menina de nove anos de idade dormia, quando foi retirada da cama numa madrugada por dois dos agressores, que a obrigaram a tomar um litro de pinga e a levaram para uma casa em construção. No local, ela teria sido estuprada por, pelo menos, sete homens, entre maiores de idade e adolescentes.
O caso foi na aldeia Bororó, localizada na Reserva Indígena de Dourados, em novembro de 2014, relembre aqui. Agressores chegaram a ser presos, mas o caso ainda tramita na justiça, sem que tenha havido ainda uma condenação.
Na época, as lideranças já demostravam preocupação com o que chamavam de “Feirinha”, uma gíria conhecida nas aldeias, usada para denominar casos de estupro coletivo que acontecem quando vários homens se unem para violentar uma ou no máximo duas mulheres, como aconteceu com a menina de nove anos. Em entrevista ao Dourados News naquele ano, contaram que os casos eram comuns no passado e o temor é de que estavam voltando a acontecer, relembre aqui.
No mês de maio do ano passado, mais um caso de estupro coletivo. Uma jovem de 19 anos de idade foi estuprada por cinco homens quando saia de uma festa. Uma mulher de 40 anos de idade que queria vingança teria contratado o grupo por R$ 80 para cometer o crime de violência sexual contra a vítima, relembre aqui. O crime também foi na aldeia Bororó.
Os casos citados são apenas alguns dos mais graves – um deles, inclusive, denominado com gíria conhecida.
Mas, nas aldeias, as mulheres convivem com uma realidade preocupante. Segundo o comandante do 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar), tenente coronel Carlos Silva, não houve casos recentes de estupro coletivo registrados na Reserva Indígena de Dourados. No entanto, as denúncias de casos de estupro envolvendo apenas um agressor e vítima são “recorrentes”, a maioria dos agressores é homem e das vítimas menores de idade e mulheres.
“Nós recebemos denúncias sim, são recorrentes. Na maioria dos casos as próprias lideranças já receberam a denúncia, encontraram e detiveram o agressor, então nos chamam para ir até o local”, explica o comandante. O 3º BPM passou a fazer policiamento ostensivo nas aldeias em novembro do ano passado e o trabalho é feito com o apoio das lideranças indígenas.
O comandante ainda relatou que existe um projeto implantado pelo órgão na Reserva Indígena chamado “Mulher Segura”. Este trabalha mais especificamente com vítimas de violência contra a mulher de uma forma geral, o que acaba ampliando o quantitativo de vários tipos de denúncias relacionadas a elas, incluindo de estupro. As denúncias recebidas são encaminhadas à Delegacia da Mulher para investigação.
Não acontece só na aldeia
Apesar dos casos nas aldeias chamarem a atenção pela brutalidade, mulheres que vivem na cidade de Dourados não estão livres de se tornarem vítimas. Em janeiro deste ano, uma jovem de 21 anos de idade, foi surpreendida por dois homens que a agarraram, a mandaram ficar quieta e a arrastaram para dentro do cemitério localizado no bairro Izidro Pedroso.
A vítima relatou que em seguida deram chutes nela e tentaram tirar suas roupas. O estupro só não se consumou porque a jovem gritou e o barulho de veículos se aproximando assustou os agressores, que acabaram indo embora, relembre aqui. Este é apenas o caso mais recente, dos muitos divulgados.
Fonte: Dourados News.


