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quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Sem acordo por reajuste, professores podem entrar em greve semana que vem em Campo Grande

Prefeitura afirma que recebeu herança com impeditivo na legislação para arcar com reajuste dos professores e agora tenta alternativas para garantir aumento

Professores de Campo Grande aprovaram, em assembleia nesta sexta-feira (25), indicativo de greve a partir de 1º de dezembro, caso não haja acordo com a prefeitura sobre o reajuste da categoria. A reunião aconteceu nesta tarde na sede da ACP (Sindicato Campo-grandense dos profissionais da Educação).

A categoria decidiu que irá atender normalmente na segunda-feira (28) até às 11h (por conta do jogo do Brasil na Copa) e, irá paralisar as atividades na terça-feira, dia em que haverá nova reunião com a prefeita Adriane Lopes (Patriota).

Presidente da ACP, Lucílio Nobre afirma que a categoria aguarda desde 2014 o cumprimento da atual Lei nº 6.796 que estabelece o piso de 20 horas. “Todos os gestores alegam a lei de responsabilidade fiscal. Estamos mais uma vez demonstrando que somos tolerantes, pois vamos esperar a reunião de terça-feira e então votaremos novamente. Mas o indicativo é para greve”, diz.

Até lá, Lucílio afirma que a categoria fará panfletagem pela cidade, sensibilizando a população sobre o assunto.

Herança da gestão anterior impede reajuste

A prefeitura de Campo Grande já assegurou aumento de 4,78% aos professores, mas diz que herança deixada pelo ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD) impede o município de cumprir com o acordo firmado também pela gestão anterior.

Conforme a prefeitura, a legislação aprovada no início do ano, quando Marquinhos ainda era prefeito, condiciona o aumento dos professores ao cumprimento do Limite Prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Porém, quando deixou a prefeitura, Marquinhos deixou o município com 59,6% de gasto do orçamento com a folha, ultrapassando o limite. “Hoje está em 57,1%, depois que a atual gestão adotou medidas de enxugamento de gastos, que continuam em andamento”, diz a prefeitura em nota.

ACP professores
Professores reunidos na ACP. (Foto: Nathália Alcântara/Midiamax)

Protesto por reajuste salarial

Professores protestaram em frente a prefeitura de Campo Grande na manhã desta sexta-feira (25). Equipe foi recebida pela prefeita e passaram quase duas horas em reunião, que terminou sem um resultado. As escolas municipais não tiveram aula devido à paralisação.

Os professores exigem que o município cumpra com a “herança” deixada pelo então prefeito Marquinhos Trad (PSD), que prometeu reajuste salarial para a categoria antes de deixar o comando da prefeitura. Em março deste ano, foi acordada entre a ACP e o município a proposta de reajuste escalonado de 67% até 2024.

O escalonamento seria da seguinte forma: 10,06% retroativo a fevereiro, 10,39% em novembro de 2022; 11,67% em maio/2023; 11,67% em outubro/2023; 11,67% em maio/2024; e 11,67% em outubro/2024.

No entanto, a prefeitura alega dificuldades financeiras para seguir com o acordo. Nesta semana, em outra reunião com a categoria, a prefeita Adriane Lopes assegurou reajuste de 4,78% para os professores. A proposta não agradou a categoria, que decidiu cruzar os braços em protesto nesta sexta.

Prefeitura tenta negociação com os professores

A ACP estima que, para o pagamento do reajuste, seriam necessários algo em torno de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões. Como alternativa, menciona que os R$ 70 milhões de verba do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) poderiam ser usados. 

O reajuste de 4,78%, proposto inicialmente pela prefeitura, já seria lançado em dezembro. O novo secretário municipal de educação, Lucas Bitencourt, reforçou que município irá buscar alternativas para o pagamento, mas desconversou sobre a possibilidade de parcelar novamente o reajuste.

“Queremos e precisamos cumprir a lei, esse é o nosso objetivo, mas encontramos dificuldades na própria lei. Agora, a prefeitura vai montar comissões para apontar propostas e resolver a questão. Estão abertas as construções para equilibrar a receita”, finaliza.

FONTE: MÍDIA MAX