11/11/2015 17h10
Ex-marido afirma que família irá recorrer à Justiça para conseguir indenização da PF
Campograndenews
A família da auxiliar de limpeza Aparecida Rodrigues de Azevedo, 41 anos, passageira da motocicleta envolvida em colisão com uma viatura da Polícia Federal, que morreu na manhã de ontem (10), na BR-163, em Campo Grande, teve que gastar o dinheiro destinado à cesta básica do mês para pagar o velório. Os filhos alegam que a PF não procurou a família e sequer prestou assistência.
A filha mais velha da vítima, Aparecida Viviane Rodrigues do Nascimento, 28 anos, disse que o órgão informou que uma assistente social iria procurar a família, o que não aconteceu. “Eles pagaram apenas o formol para aplicar no corpo da minha mãe e mais nada. Sorte que uma tia pagava pax e nos ajudou. Só a empresa onde minha mãe trabalhava no Shopping Bosque dos Ipês foi que mandou uma coroa de flores”, explicou.
Os familiares afirmaram que a auxiliar de limpeza era o “esteio” da casa. Juntamente com namorado, o pedreiro Adriano Souza de Oliveira, 30, piloto da moto, que também morreu no acidente, e com ajuda da mãe aposentada, sustentava os três filhos de 21, 25, 28 anos, e os três netos de sete meses, nove meses e 1 ano e sete meses.
“A família está desestruturada. Meu irmão está preso e agora com a morte minha avó vai embora com minha tia. O dinheiro da compra do mês gastamos com o velório, não sei o que vamos fazer. Se fosse o bandido que tivesse atropelado minha mãe eu até entenderia, mas foram os policiais. Eles não mataram um cachorro, mataram uma família inteira”, mencionou a filha.
Irmão de Aparecida, Sidney Bento, 54, disse que o namorado dela, o Adriano sempre iria levá-la ao serviço às 22h e pela manhã, pelas 6h, ele iria buscá-la, horário em a tragédia aconteceu. “Faziam três meses que eles tinham a mesma rotina. Ele trabalha e ela trabalha a noite. Durante o dia, ela cuidava da casa, lavava roupa, fazia comida e cuidava das crianças, além de dormir para ir trabalhar. Como pode a própria polícia colocar em risco a vida de inocente e tirar ela da gente”, comentou.
A nora de Aparecida, Tayná Ilário Gomes, 19, também morava na casa porque tinha uma criança com o filho da vítima que estava preso. Ela contou que todo o dinheiro que Aparecida recebia investia em uma casa que estava sendo construída na mesma rua em que morava.
“Ela já havia investido R$ 2 mil na casa, e no dia em que iria pagar mais materiais para investir aconteceu isso. Nos últimos meses ela estava falando que iria utilizar o 13º para terminar a casa, queria se mudar logo. Meu marido está preso e só pode ficar cinco minutos no velório. Não sei como as coisas irão ficar, já que não posso deixar meu filho pequeno para trabalhar, para você ter noção não tem nem leite mais para ele”, destacou Taýna
O ex-marido da auxiliar de limpeza, o agricultor Pedro da Rocha Tavares, 46, também criticou o fato da PF não aparecer para dar assistência à família. “Pelos menos agora no começo eles deveriam dar um apoio, porque depois, mais para frente podemos entrar na Justiça para conseguir algo mais concreto. Custava dar um pulinho aqui”, apontou.
Mãe da nora de Aparecida, Luzia hilário Gomes, 54, a conhecia desde 2009. Ela não se conformava com a morte da amiga. “Era uma pessoa trabalhadora, honesta, estou muito revoltada. A polícia só mata pai de família mesmo e os bandidos vivem soltos por aí”, finalizou.
O velório aconteceu na casa de Aparecida, na Avenida Marechal Mallet, Jardim Noroeste. O sepultamento do corpo aconteceu no Cemitério Cruzeiro, na Avenida Cônsul Assaf Trad, em Campo Grande.
A família pede ajuda para conseguir obter mantimentos, interessados podem entrar em contato pelos telefones (67) 9153-6037/ (67) 9185-7845.


