26 C
Ponta Porã
segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Senador que bateu de frente com Romário na CPI é amigo da família Sarney

27/09/2015 08h30

A condução dos atos de investigação mantém-se sob controle do relator. Hoje, a relatoria está nas mãos do PMDB, mas sob a batuta de Romero Jucá (PMDB-RR).

UOL

“Sou dirigente de futebol acho que há mais de 30 anos. Considero o dirigente um sacrificado. Vivemos, hoje, no país do denuncismo. Faz-se a denúncia sem nenhuma comprovação”, começou assim o bate boca entre Romário (PSB-RJ) e João Alberto (PMDB-MA) na sessão da quarta-feira, na CPI do Futebol, no Senado.

De um lado, o ex-jogador, autor do requerimento que instalou a comissão na Casa e hoje a preside. De outro, um decano no Senado mas neófito na CPI do Futebol, que nesta semana realizou sua 10ª sessão.

Ele ocupou a vaga de membro titular cedida por Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder da maioria no Senado, que faltou a todas as sessões, e tornou-se suplente. Abriu, assim, o assento para a chegada do maranhense.

João Aberto (PMDB-MA) é mais um dos apadrinhados da família Sarney. Foi com o apoio do ex-presidente José Sarney que ele tornou-se governador do Maranhão, entre 1990 e 1991. Ele também foi deputado federal pelo Estado. Nas eleições de 2006, era candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Roseana Sarney, que acabou derrotada nas urnas.

Antes da instalação da CPI, o maranhense estava cotado para assumir a relatoria, que era pretendida por Romário. Em termos de importância, o relator consegue produzir mais que o presidente de uma CPI. Porque ao presidente compete a direção dos trabalhos e a representação da comissão em suas relações externas ao Congresso.

A condução dos atos de investigação mantém-se sob controle do relator. Hoje, a relatoria está nas mãos do PMDB, mas sob a batuta de Romero Jucá (PMDB-RR). A Romário coube a presidência.

João Alberto tem ligação estreita com Fernando, o segundo dos três filhos de José Sarney. Fernando é vice-presidente da CBF, aliado a Marco Polo Del Nero, diretamente interessado no andamento das investigações sobre a confederação. É apaixonado por esportes, já financiou a criação de um time de basquete profissional feminino, uma vez que é praticante da modalidade. Ele comanda o Grupo Mirante de Comunicação, que é afiliada da TV Globo no Estado.

Entenda como foi o bate-boca:

Em seu discurso, João Alberto elogiou a organização do futebol brasileiro, a quem atribuiu as conquistas dos títulos do passado e minimizou as vexatórias derrotas para Alemanha (7 a 1) e Holanda (3 a 0) na Copa do Mundo do ano passado. “Só porque saímos de uma Copa do Mundo em quarto lugar, nós achamos que fomos os grandes derrotados, porque nos acostumamos a sermos os primeiros”, relativizou o senador maranhense.

Romário, então, passou a discordar frontalmente do posicionamento de João Alberto e chamou Del Nero de “ladrão” e “câncer do futebol”, entre outras coisas. O maranhense reagiu indignado. Deu-se, então, o seguinte diálogo:

João Alberto – Nós estamos na CPI, nós aqui somos juízes. Vossa excelência não pode externar a opinião que está externando.

Romário – Já externei. É porque vossa excelência veio aqui hoje pela primeira vez. Eu já externo isso desde quando cheguei aqui a Brasília.

João Alberto – Mas vossa excelência não pode. Aqui, nesta CPI, vossa excelência é juiz. Nós somos juízes. Nós vamos julgar, Presidente! Vossa excelência está extrapolando. Nenhum de nós aqui pode dar a opinião que vossa excelência está dando.

Romário – Não; opinião, cada um pode dar, sim.

João Alberto – Não, Presidente!

Romário – Podemos, sim.

João Alberto – Nós vamos julgar.

Romário – Isso não é opinião, não, Senador.

(…)

João Alberto – Então, vossa excelência é suspeito em ser Presidente desta Comissão.

Romário – Isso é o que vossa excelência, não é? Isso é o que vossa excelência entende. Eu tenho que respeitar a sua opinião.

Ed Ferreira/Folhapress