13 C
Ponta Porã
domingo, 18 de outubro, 2026

Série policial ajuda a combater a cultura do estupro, diz estudo

11/12/2016 08h10

Somente neste ano, 55% dos episódios de Law & Order: SVU (Universal Channel) trataram de estupro.

Noticiasdatv.uol

A TV tem o poder de reforçar a cultura do estupro ao mostrar a vítima como culpada pelo crime. A constatação é da pesquisadora norte-americana Stacey Hust, especializada em comunicação, em artigo publicado na edição desta semana da revista The Hollywood Reporter. Stacey e sua equipe avaliaram todas as séries policiais exibidas nos Estados Unidos entre 2015 e 2016 para entender como o estupro é abordado nas atrações.

“Descobrimos que os telespectadores de Law & Order [Special Victims Unit] têm uma percepção melhor das consequências de um estupro. Eles demonstram boas atitudes ao recusarem sexo sem consentimento e tentam conquistar o ‘sim’ do parceiro antes de uma relação sexual”, conclui.

Para Stacey, isso ocorre por um motivo: quando Law & Order aborda um estupro, vai até o fim do caso, da perseguição policial ao julgamento do criminoso, que na maioria das vezes é fichado como culpado.

Em outras séries, a abordagem e o efeito educativo são diferentes. “Em CSI, por exemplo, a narrativa foca apenas na investigação do crime e não em quem o cometeu”, continua a pesquisadora. “O mesmo se dá em NCIS, que foca apenas em crimes praticados na Marinha [norte-americana]”.

Somente neste ano, 55% dos episódios de Law & Order: SVU (Universal Channel) trataram de estupro. Os crimes foram abordados dos mais diferentes pontos de vista: homem que disse ter feito sexo consensual com uma menina; modelo que acusou fotógrafo de assediá-la; homem que disse ter sido atacado por agente penitenciário, entre outros.

O vice-presidente norte-americano Joe Biden fez uma participação na série como ele mesmo. O político discursou a favor das vítimas de estupro, anunciou medidas para facilitar a criminalização de acusados e afirmou que o ato é “a maior forma de demonstrar abuso de poder.”

Ver o criminoso punido, segundo Stacey, faz com que o telespectador de Law & Order procure evitar passar por aquilo na vida real. Ela reforça que a série enfatiza o conceito de que qualquer pessoa, mesmo prostitutas, tem o direito de recusar sexo. “O público de Law & Order se sente mais empoderado [e propenso] a fazer a mesma recusa no dia a dia”, comenta.

Stacey Hust foi convidada para escrever o artigo na edição anual da Hollywood Reporter sobre o poder e a representatividade da mulher no mundo do entretenimento. Em 2015, a professora da Universidade Estadual de Washington publicou um estudo justamente sobre como os telespectadores reagem ao assistirem histórias de estupro na TV.

Mark Harmon em NCIS (à esq.), Mariska Hargitay em Law & Order: SVU e Ted Danson em CSIFoto: DIVULGAÇÃO/CBS/NBC

Mariska Hargitay e Joe Biden em episódio de Law & Order