10/05/2017 06h10
Neto, Follmann, Ruschel e Henzel encaram sacrificante trajeto até o Cerro Gordo para entenderem detalhes do que aconteceu em 29/11.
Globoesportes.com
Sacrificante, emocionante e redentora. Não foi fácil, mas os sobreviventes de 29 de novembro voltaram ao Cerro Gordo, local do acidente com o avião da Chapecoense. Refazer a rota do salvamento trouxe um turbilhão de emoções a Neto, Alan Ruschel, Follmann e Rafael Henzel. Acima de tudo, porém, fez com que tivessem uma compreensão maior do tamanho do milagre que os deixou vivo em acidente que matou 71 pessoas.
O percurso delicado de caminhada até Cerro Gordo não foi empecilho para Follmann. Apesar das limitações por conta das próteses na perna direita e no tornozelo esquerdo, o goleiro repetia a todo instante que iria de qualquer maneira. E assim foi, sempre escoltado por Nelson Castrillon, primeiro a encontrá-lo.
No exato local onde foi resgatado, Follmann pediu privacidade e se emocionou com o olhar perdido pelo rastro deixado pelo avião entre o primeiro impacto e o ponto final. Em diálogo com seus heróis, descobriu que estava de ponta-cabeça e sentado – não deitado como imaginava. Soube ainda que permaneceu lúcido ao ser levado, disse que lutaria pela vida e recordou-se do acidente:
- Foi importante chegar aqui para vermos tudo que aconteceu. Sabíamos que tinha sido difícil, mas não tão difícil. É milagre. Não consigo pensar como o resgate nos tirou daqui, como conseguimos sobreviver a uma tragédia em um lugar desse. A vida passa rápido. Em um segundo, tudo muda.
A passagem por Cerro Gordo durou cerca de uma hora, e os sobreviventes não perderam a oportunidade de passar por todos os pontos. Na base do espaço onde o avião se arrastou, há um santuário com imagens de santos e objetos encontrados nos destroços. O grupo fez uma oração no ato final. Mais serenos, todos posaram para fotos e atenderam crianças em busca de autógrafos.
A página de 29 de novembro nunca vai ser virada, mas já é mais bem compreendida por quem fez parte da história.



