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sábado, 17 de outubro, 2026

STF apresenta inovações em seminário sobre Corte Constitucional Digital


STF apresenta inovações em seminário sobre Corte Constitucional Digital

STF apresenta inovações em seminário sobre Corte Constitucional Digital

Os desafios da modernização e do aperfeiçoamento dos sistemas digitais estiveram no centro da pauta do evento “O Supremo Tribunal Federal como Corte Constitucional Digital”, realizado na manhã desta segunda-feira (26). O evento é uma parceria do STF e do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP). Durante a videoconferência, representantes do Supremo abordaram temas como as sessões virtuais da instituição e discutiram como a inteligência artificial pode contribuir para o aprimoramento das Cortes Constitucionais.

Apontado pelos palestrantes como uma solução viável para a morosidade dos processos jurídicos, o uso da inteligência artificial no STF já apresenta importantes avanços, sobretudo no juízo de admissibilidade de recursos. Os argumentos convergiram em que o aumento da confiabilidade desses mecanismos se refletirá nas condições de avaliação dos magistrados, em benefício da jurisdição.

Transição digital

Ao frisar que o Supremo caminha para se tornar a primeira Corte Constitucional 100% digital, o secretário-geral da Presidência do STF, Pedro Felipe de Oliveira Santos, afirmou que a verdadeira transição digital que vivemos é que os recursos tecnológicos têm deixado de ser fontes secundárias na produção de políticas públicas, inclusive sociais, para se tornarem primárias. “Se antes utilizávamos o processo digital apenas em parcelas de processos, hoje caminhamos para o utilizarmos na integralidade de nossos serviços, pois a linha entre o mundo físico e digital se torna cada vez mais tênue”, afirmou.

A pandemia da Covid-19 trouxe a necessidade urgente de adaptação e, para o secretário, fez com que a barreira cultural em relação à transformação digital fosse vencida. Pedro Felipe defendeu um alinhamento entre a inteligência humana e a artificial, uma vez que é preciso ter uma mente humana para direcionar a máquina de forma adequada, ética e transparente. “Esse alinhamento, se feito com os devidos cuidados, possibilita um ganho institucional formidável”, ponderou.

Um dos projetos mencionados pelo secretário foi o Inova STF, uma das metas de gestão do presidente do STF, ministro Luiz Fux. Uma equipe multidisciplinar desenvolve soluções de tecnologia jurisdicionais para atingir a meta da Corte constitucional 100% digital. Segundo Pedro Felipe, uma Corte digital não se define apenas pelo registro de documentos digitais, mas pelo mapeamento dos processos de trabalho, interno e externo, e pelo modo de contato com a comunidade.

Sistema de precedentes

Outro projeto abordado foi a ferramenta de inteligência artificial Victor, batizado em homenagem ao ministro Victor Nunes Leal, grande defensor da sistematização da jurisprudência e da aplicação de precedentes aos recursos. “Basicamente, o que o projeto faz é a materialização de um sistema de precedentes”, explicou a juíza Caroline Somesom Tauk, auxiliar do gabinete do ministro Roberto Barroso.

Victor, cujo desenvolvimento teve início em 2017, na gestão da ministra Cármen Lúcia, faz a leitura de recursos extraordinários e identifica quais estão vinculados a determinados temas de repercussão geral. Segundo Caroline Somesom, a tarefa que, em geral, os servidores levam 44 minutos para fazer, é feita em cinco segundos, com acurácia de 95%.

O STF recebe, anualmente, cerca de 80 mil recursos. O esperado é que, com o Victor, sejam solucionados, em média, 10 mil por ano.

Agilidade institucional

O secretário de Altos Estudos, Pesquisas e Gestão da Informação do STF, Alexandre Freire, ressaltou a resiliência constitucional mostrada pela Corte durante a pandemia. De acordo com levantamentos de fevereiro e março deste ano, o STF tinha 93% de seu julgamento em ambiente virtual para todas as classes processuais. Em abril, o percentual avançou para 97%.

Em sua avaliação, o ambiente virtual também conferiu maior autonomia aos relatores em relação à pauta e aproximaram o STF da advocacia, ao deixar de exigir a presença física do advogado.

Audiências públicas

A assessora Paula Pessoa falou sobre a importância da realização de audiências públicas, mesmo que por videoconferência, como exige o cenário atual. Para ela, a Suprema Corte deve estabelecer esses canais abertos com a sociedade e dar espaço para que informações e conhecimentos técnicos específicos sejam levados ao Tribunal, além de promoverem a participação da sociedade civil no processo decisório.

Ela apontou que a realização de audiências por videoconferência trouxe reflexões sobre aperfeiçoamentos desses experimentos institucionais em inovação digital. Apesar de alguns desafios a serem superados, como a dificuldade de maior aproximação entre os participantes, a assessora considera que o saldo tem sido positivo, principalmente quanto à pluralização da cidadania. “Esse formato amplia a participação de diversas organizações, grupos sociais e professores estrangeiros, o que, até então, seria muito difícil”, concluiu.

AA//CF

Fonte: STF