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Suspeito de degolar casal voltou ao local e usou carro das vítimas 2 vezes

19/09/2015 06h50

Homem disse em depoimento que matou porque foi reconhecido.

G1 MS

O suspeito de 28 anos, que matou degolado um casal de médicos na última sexta-feira (11), em Jaraguari, a 43 quilômetros de Campo Grande, retornou ao local do crime duas vezes para passear com o carro das vítimas. Ao G1, o delegado Edilson dos Santos, titular da Delegacia Especializada de Repressão à Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras), disse que ele viajou para outro município, com a intenção de visitar a amásia e uma filha pequena.

“Com as investigações descobrimos que as vítimas possivelmente foram mortas na noite de sexta, entre 19h e 20h, já que foi pouco antes o último contato deles com a família. Na ocasião, o suspeito torturou e pediu a senha dos cartões do médico. Logo depois, o suspeito pegou o carro do casal e seguiu rumo a São Gabriel do Oeste”, afirmou o delegado.

Naquela cidade ele se encontrou com o cunhado e a ex-companheira. “O suspeito seguiu para um posto de combustível, onde abasteceu o carro e passou em conveniências para comprar duas caixas de cerveja. No outro dia ele retornou para Jaraguari e devolveu o carro na garagem da propriedade. Durante a noite de sábado (12), porém, ele pegou o carro novamente e retornou para São Gabriel do Oeste”, comentou o delegado.

Questionado, o homem disse que a sua intenção inicial era apenas roubar as vítimas, porém o médico retirou a camiseta que estava no rosto do suspeito, reconhecendo-o. “Em depoimento, ele falou que tinha como única opção matar as vítimas, pelo fato de ter sido reconhecido e ainda ser vizinho deles”, explicou o delegado.

Santos ainda comentou que a polícia apurou o fato do assaltante ser vizinho das vítimas há três anos, pois estava morando com os pais. O local fica ao lado da chácara e o casal inclusive dava oportunidades para o suspeito, deixando ele fazer “bicos” na propriedade, fazendo a limpeza de pés de eucalipto e recebendo a diária de R$ 80 por dia. A primeira informação de um possível desacerto foi descartada pelos policiais.

O homem, que já era foragido da Justiça por ter sido condenado pelo crime de roubo, responde agora por duplo latrocínio qualificado. “Nós aguardamos o resultado de um exame de DNA para confirmar se houve estupro, no caso da mulher. Se for confirmado, haverá um agravante na punição do suspeito”, finalizou o delegado.

Entenda o caso

O médico aposentado de 74 anos foi encontrado morto ao lado da cama com a perna direita amarrada na altura do tornozelo. A mulher dele, de 53 anos, estava em outro quarto sobre a cama, mas com as pernas para fora e sem as roupas da parte debaixo. Ambos estavam com os pescoços cortados. A polícia também investiga um possível caso de estupro.

Os dois moravam sozinhos em um assentamento de Jaraguari. A falta de movimentação no sítio levantou suspeitas dos vizinhos. Parentes não conseguiram falar com as vítimas durante o fim de semana e pediram para um amigo ir até a residência verificar se estava tudo bem. Ao chegar, nessa terça-feira (15), o amigo encontrou a casa aberta e os corpos.

Assim que cometeu o crime, o suspeito foi buscar abrigo na casa de parentes, mas decidiu ficar dois dias escondidos em um matagal às margens da BR-040. Assim que retornou para pedir abrigo, ele foi preso. O homem deicidiu permanecer em silêncio quando questionado sobre o crime, apenas tremia e dizia que preferia permanecer em silêncio.

Nogueira afirma ter cometido crime ao ser reconhecido pelas vítimas (Foto Marcos Ermínio)

Homem que degolou casal foi preso nesta sexta-feira (18) (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)