07/11/2017 15h40
Suspeito de matar mulher a golpes de tesoura afirmou ter ciúme excessivo, diz polícia em MS.
Homem se apresentou na Deam e confessou ter monitorado a jovem por telefone e até mesmo por compras que fazia.
G1MS
homem de 32 anos, suspeito de assassinar Mayara Fontoura, de 18 anos, se apresentou na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). Conforme a polícia, o suspeito tinha um ciúme excessivo e, mesmo recluso no presídio, confessou monitorar a jovem por telefone e até mesmo compras que fazia no cartão do crédito.
“Ele afirmou em depoimento ter morado no Japão, por um ano e meio. Neste período, juntou um dinheiro. Eles começaram o relacionamento em 2015 e, três meses depois, o suspeito foi preso. O homem então deixou um aparelho Iphone com ela e passou a monitorar os seus passos, além das corridas que fazia pelo aplicativo e os gastos no cartão de crédito”, afirmou a delegada Ariene Cury, titular da unidade policial.
O suspeito foi preso por uma tentativa de homicídio, relacionada à ex-companheira, quando esta vítima teria sido atingida por três disparos. “A condenação foi por cerca de três anos e ele conseguiu uma liberdade por conta do indulto. O suspeito então foi direto para a casa onde morava com a jovem. Ele comentou que ambos tiveram inúmeras brigas neste período, mas, entre indas e vindas, estavam juntos”, explicou a delegada.
Motivo torpe
O interrogatório do suspeito teve início às 15h30 (de MS), nessa segunda-feira (6) e encerrou após 2h30. “Ele falou que ambos discutiram por conta de uma conversa que ela estava tendo no celular. O homem alegou legítima defesa, sendo que ela teria pegado a tesoura. No entanto, temos a convicção de que ele desferiu golpes na vítima. Os exames necroscópicos apontaram perfurações e lesões cortantes”, ressaltou Cury.
O suspeito permanece preso e vai responder por feminicídio triplamente qualificado por meio cruel, recurso que impossibilite a defesa e motivo torpe. “Ela estava nua quando foi encontrada, então possivelmente mantiveram relação sexual antes do crime. A investigação acredita que a vítima foi pega de surpresa e não que ele tenha agido em legítima defesa”, disse a delegada.
A pena para os crimes varia de 12 a 30 anos de reclusão. O suspeito agora permanece à disposição da Justiça. “Ele ainda tem um indiciamento por coação no curso do processo, pois, houve ameaças durante o inquérito policial”, finalizou.
Entenda o caso
O corpo da vítima foi encontrado na noite do dia 15 de setembro, no bairro Universitário, em Campo Grande. Segundo a família da vítima, o suspeito do crime é o marido, que seria ex-presidiário. Segundo a polícia, a vítima e o suspeito ainda eram casados, mas não conviviam mais juntos.
O homicídio ocorreu na casa onde Mayara morava com o irmão. A família disse que a vítima e outros familiares estavam sendo ameaçados pelo suspeito há pelo menos seis meses. Uma das ameaças era, inclusive, de jogar soda cáustica na jovem. A família diz que foi avisada do crime por um amigo do suspeito, a quem ele teria comunicado o homicídio e teria dito ainda que estava “cumprindo o que havia prometido”.


