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domingo, 18 de outubro, 2026

Suspeito de participar de mega-assalto a empresa de valores é liberado pela polícia

22/10/2017 10h10

Quadrilha explodiu unidade da empresa em Araçatuba (SP) e levou cerca de R$ 10 milhões. Homem preso em Buritama disse que é caçado e não precisou pagar fiança; caso continua sob investigação.

G1

O suspeito de participar do mega-assalto a uma empresa de valores em Araçatuba (SP), preso em um sítio de Buritama (SP), foi liberado no fim da tarde deste sábado (21) após uma audiência de custódia. Os criminosos podem ter fugido com cerca de R$ 10 milhões da empresa. Um policial civil morreu durante o assalto e o quartel da PM foi atacado.

Segundo a Polícia Civil, o homem, de 47 anos, alegou que é caçador e não precisou pagar fiança para ser liberado. Ainda conforme a polícia, a suspeita era de que veículos usados na ação teriam sido levados para a propriedade do homem antes do crime.

Entretanto, a Polícia Militar não encontrou nenhuma pista. No local, a polícia localizou duas espingardas sem registros, uma delas com silenciador e outra usada pra caçar. Após ser solto, o homem deve responder em liberdade por porte ilegal de armas.

Flagrante

Câmeras de segurança de um imóvel registraram a ação da quadrilha (veja abaixo). Mais de 30 homens participaram do assalto, que deixou um policial civil morto e levou pânico aos moradores.

Nas imagens é possível ver os criminosos ameaçando motoristas que passam pela rua que fica entre a empresa e o quartel da Polícia Militar. Os homens estão armados com fuzis, e usam capacete, colete e máscara.

Ao verem a movimentação, alguns motoristas voltam de marcha à ré. Outros que não percebem a ação criminosa são recebidos a tiros na rua.

Os ladrões ainda atiram nos postes de iluminação e na câmera que registra a ação criminosa, mas não conseguem danificar o equipamento.

Após ameaçar os motoristas, os criminosos incendiaram dois veículos para impedir a saída dos policiais do quartel próximo à sede da empresa. Houve troca de tiros. Segundo a PM, o grupo usou munições capazes de derrubar aeronaves.

Parte da quadrilha foi, então, até a sede da Protege e explodiu o imóvel. Moradores do bairro relataram ao menos quatro explosões, que destruíram o prédio. O grupo ficou cerca de 40 minutos no local.

Um dos cofres foi detonado e o valor levado pode ser de R$ 10 milhões, segundo informações obtidas pela TV TEM.

Após a explosão na empresa, policiais militares fecharam as ruas Dona Idá, Marcondes Salgado e Antonio de Freitas Menezes por apresentar risco, já que artefatos explosivos ficaram no local. O Gate foi chamado para retirar o material.

Foram apreendidas 66 emulsões de explosivos que estavam no local. Parte delas foi entregue ao grupamento especial para perícia especializada.

Policial morto

O policial civil André Luís Ferro da Silva, de 37 anos, estava de folga e foi até o local ao ser chamado pelos pais, que moram perto da empresa, onde acabou baleado.

Silva ainda foi socorrido com vida, mas morreu enquanto era atendido na Santa Casa. O enterro foi na terça-feira (17). Silva era integrante do Grupo de Operações Especiais (GOE), e deixou duas filhas e a esposa.

Outras vítimas

Depois do mega-assalto, a Protege chegou até a tirar o restante do dinheiro que ficou na empresa e levou para outra sede, mas não revelou a quantidade levada e nem para onde.

Mas não foi só a empresa que teve prejuízos. Algumas famílias que moram na região onde houve a explosão também estão sentindo no bolso, com carros e casas destruídos. Desde o dia do assalto, os moradores tentam consertar e reformar os imóveis.

Sem condições de continuar no imóvel que está interditado, a família do encarregado de manutenção Jaime Grillo passa a noite num hotel pago pela empresa e durante o dia, cuida do que restou.

“Eu mesmo estou tomando algumas providências, eu aluguei uma casa para colocar meus móveis, porque se chover vai molhar tudo”, diz.

Até agora, pelo menos quatro pessoas já registraram boletins de ocorrência por terem sido vítimas dos danos nas casas provocados pelo assalto.

Outra moradora da cidade, que prefere não se identificar, diz que marcas dos estilhaços do tiro ficaram espalhadas pelo corpo. Ela estava no carro com o marido quando foi alvo da ação dos criminosos.

A mulher conta que não viu os criminosos, mas ouviu um forte barulho e só percebeu o que havia acontecido quando viu o buraco no vidro do carro e um incômodo perto da orelha.

Rodovia bloqueada

Durante a fuga, os ladrões usaram um caminhão canavieiro para bloquear a pista da rodovia Marechal Rondon, no sentido Birigui a Araçatuba.

Segundo a polícia, os assaltantes renderam o motorista e deixaram o veículo atravessado na pista, de forma a impedir a chegada da polícia.

A quadrilha foi embora e o caminhoneiro ficou escondido no mato. Os veículos que vinham em direção a Araçatuba perceberam o caminhão atravessado e foram estacionando no acostamento.

A Polícia Rodoviária Federal disse que um dos motoristas decidiu entrar na boleia do caminhão e ele próprio retirou o caminhão da pista, permitindo a passagem. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a interdição durou cerca de dez minutos.

Empresa de valores de Araçatuba ficou destruída (Foto: Reprodução/TV TEM)

Policial civil é morto após quadrilha explodir prédio de empresa de valores em Araçatuba (Foto: Arquivo Pessoal)