Todo mundo conhece alguma criança agitada, que não quieta, que não presta atenção na escola ou que vive no mundo na lua. Algumas delas sofrem com um problema chamado TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Esse é o transtorno mais comum em crianças, ocorrendo de 3 a 5% da população infantil por todo o mundo. Mesmo assim, muita gente ainda não acredita que isso seja realmente um problema de saúde, o que dificulta muito a adesão ao tratamento e traz danos ao indivíduo que sofre com o transtorno.

Basicamente, o TDAH é um transtorno neurobiológico que tem como principais características falta de atenção, agitação e impulsividade. Surge na infância e em muitos casos acompanha o indivíduo na vida adulta.

“Os portadores de TDAH têm alterações na região frontal e suas conexões com o resto do cérebro. Essa parte do cérebro é responsável por inibir comportamentos inadequados, como também pela memória, atenção, autocontrole, organização e planejamento. O transtorno é reconhecido pela OMS e há o Consenso Internacional, publicado depois de um profundo debate sobre o tema, com profissionais, instituições e grupos de especialistas”, afirma a neuropediatra Dra. Maria José Martins Maldonado.

Ela também explica que TDAH possui 18 sintomas divididos em 3 grupos: 9 relacionados à desatenção, 6 à hiperatividade e 3 à impulsividade. Durante a infância, o TDAH se manifesta através de dificuldades na escola e no relacionamento com os colegas, pais e professores. Geralmente os meninos apresentam mais sintomas de hiperatividade e impulsividade, mas meninos e meninas com TDAH são desatentos.

Na adolescência, o transtorno pode ser caracterizado por dificuldades em lidar com regras e limites. Já na vida adulta, surgem problemas com desatenção, falta de memória e impulsividade. Muitos adultos com TDAH têm outros problemas associados, como abuso de drogas, álcool, ansiedade e depressão. É muito comum também que a predominância dos sintomas mude durante a vida, ou seja, uma criança muito hiperativa pode se tornar um adulto muito desatento.

Ainda não se tem uma resposta exata para essa pergunta e acredita-se que é a combinação de alguns fatores ambientais, genéticos e biológicos. Como o transtorno aparece em diferentes regiões do mundo, acredita-se que o transtorno não é secundário a fatores culturais ou conflitos psicológicos.

Alguns genes parecem estar relacionados a uma predisposição para o TDAH, muito mais do que a criação dos pais, que parece não influenciar muito. Estudos também apontam que consumir álcool e nicotina durante a gravidez pode causar alterações no cérebro do bebê, que levam ao desenvolvimento do transtorno, assim como o sofrimento fetal na hora do parto, mas nada muito conclusivo.

“O Tratamento do TDAH deve ser multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos, orientação aos pais e professores, além de técnicas específicas que são ensinadas ao portador. A medicação, na maioria dos casos, faz parte do tratamento”, conclui a neuropediatra, que também destaca o diagnóstico precoce é fundamental para a efetividade do tratamento.

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