23/06/2014 16h30
Hoje segunda-feira, Kovac tem a prova final para mostrar se veio à Copa para brilhar ou brigar. Seu time enfrenta o México, às 17h (Brasilia)
ESPN Brasil
Nos tempos de jogador, Niko Kovac era um volante conhecido por chegar duro nas divididas. Isso não mudou nada agora que ele é técnico da seleção da Croácia. Em 11 dias de Copas do Mundo, o treinador esteve envolvido em situações polêmicas, como sua coletiva pós-jogo contra o Brasil e o constrangimento a uma repórter brasileira na concentração da equipe, na Bahia.
O caso envolvendo a jornalista aconteceu no último dia 15, após um jornal croata publicar fotos dos jogadores da seleção nadando pelados na piscina do Hotel Tivoli Park, em Mata de São João.
Em coletiva da imprensa, a repórter, que era a única mulher presente, questionou Kovac se a divulgação das imagens poderia prejudicar a concentração da equipe. O técnico, que só fala sua língua nativa durante as entrevistas, respondeu em inglês, de forma irônica.
“Você viu as fotos? Gostou?”, questionou, irritado.
Mais tarde, durante treinamento tático, ele deixou seus auxiliares de lado e se dirigiu para onde estava a jornalista. Novamente em inglês, voltou a intimidá-la.
“Alguns jogadores estão querendo saber se você gostou das fotos”, disse, para depois sair rindo, em tom de deboche.
Após o episódio dos peladões, os atletas deixaram de participar das entrevistas, com exceção das que são realizadas nos dias anteriores às partidas, quando a Fifa obriga tanto o técnico quanto ao menos um atleta a falarem.
“Quem viu pênalti, levante a mão”
Confronto com a imprensa, aliás, é o prato mais pedido no menu de Niko Kovac. Durante suas coletivas, quando alguma pergunta “normal” é feita, ele sempre olha para um ponto fixo no horizonte, sem nunca fitar diretamente o repórter que fez o questionamento. No entanto, quando alguma pergunta mais apimentada é feita, ele faz questão de olhar para o jornalista e rebater com altas doses de ironia.
Sua coletiva mais quente aconteceu logo após a derrota por 3 a 1 para o Brasil, na estreia da Copa. Revoltado com o pênalti marcado sobre Fred, usou palavras fortes e sarcásticas, ao contrário da maioria dos outros treinadores do Mundial, que costumam seu mais brandos nas críticas sobre a arbitragem.
“Se alguém viu pênalti, levante a mão”, pediu Kovac, logo no início da entrevista, ainda de cabeça quente após ver seu time levar a virada na Arena Corinthians.
“Eu não posso levantar a mão. Nenhum dos presentes no estádio ou os 2,5 bilhões que assistiram à partida mundo afora viram pênalti. Se for assim, haverá mil pênaltis na Copa. Foi ridículo o que fizeram”, disparou, antes de ir ainda mais longe.
“Não tem nada a ver com esse árbitro em especial, tem a ver com jogar aqui no Brasil, o Brasil ser o grande favorito para ser campeão. As regras valem para os dois lados. O slogan da Fifa é ‘respeito’. Então, que haja respeito para as duas equipes. Se continuarmos assim, vamos ter um circo”, detonou.
Nesta segunda-feira, Kovac tem a prova final para mostrar se veio à Copa para brilhar ou brigar. Seu time enfrenta o México, às 17h (horário de Brasília), pela última rodada do grupo A. Se ganhar, avança. Se perder, cai fora.
Provoco mesmo
Naquela que pode ser sua penúltima coletiva anter de dar adeus ao Brasil, Niko Kovac mostrou mais uma vez que não tem medo de entrar em divididas. Ao invés do protocolar “temos que respeitar o adversário”, ele partiu para cima dos mexicanos com frases de provocação e até desdém antes do duelo decisivo pelo grupo A.
“Se alguém está com os joelhos tremendo para esse jogo, devem ser eles”, bradou o treinador, em frase que foi muito mal digerida pela imprensa mexicana.
Logo depois, o técnico do México, Miguel Herrera, fez questão de rebater Kovac e prometeu fazer o croata engolir suas palavras: “Futebol se resolve dentro do campo. E é lá que daremos a resposta a eles: dentro de campo, na bola”, prometeu.
Pelo jeito, o jogo no Recife vai pegar fogo.



