24/01/2017 05h40
É necessário, primeiro, que você entenda o que pretende realizar.
Divulgação (TP)
Quem nunca acordou pela manhã desejando ter seu próprio negócio? Acordou, não! Nem dormiu pensando nisso, sinceramente falando! Muitos são nossos sonhos e o brasileiro, convenhamos,é de uma criatividade singular. No entanto, muitos também são os entraves encontrados na hora de colocar as ideias em prática, executá-las.
O primeiro entrave, certamente, é a falta de Estudo, Planejamento e Execução – a falta de um Plano de Negócios. Não é suficiente saber se determinado negócio está sendo bem sucedido aqui ou ali, pelas mãos do José ou do Joaquim, em São Paulo ou Quixeramobim. É necessário, primeiro, que você entenda o que pretende realizar.
Quero abrir um mercado somente de produtos naturais, fitness, voltado à geração maromba. Vai dar certo!
Calma, vá devagar. Primeiro você precisa saber se possui público para isso, porque se em sua cidade só houver uma academia, você não conseguirá mais que 80 clientes e, penso eu, o retorno de seu investimento, considerando as pessoas que desistem no meio da jornada fitness, poderá não vir.
Caso considere que há público e, lembre-se: essa constatação precisa ser feita em campo; necessitará reunir o máximo de informações sobre o setor, tais como: tipo de público, de dietas, em parcerias com nutricionistas e profissionais de educação física que atuam como personal trainer, instrutores em academias; precisará saber quem serão seus fornecedores, quais os produtos de maior e menor giro, de maior e menor valor agregado, precisará estudar concorrentes e, acredite, haverão e lhe trarão enormes desafios. É necessário saber sobre seu fluxo de caixa, quantidade de caixa mínimo em dias, fazer o provisionamento do faturamento da sua futura empresa para os doze primeiros meses para que possa projetar suas vendas e com isso conseguir bancar sua empresa. Enfim, uma série de pormenores que,de menores não tem nada mas, que diminuirão sobremaneira os riscos da sua empresa não concluir o primeiro ano de vida.
Opa, maravilha! Depois de fritar meus neurônios, conclui o Plano de Negócios e ele apresentou viabilidade de x por cento, rentabilidade de y por cento e o retorno do investimento em tantos meses. Só tem uma coisa: ele também me disse que para montar esse negócio extraordinário que bolei na minha cabeça preciso de R$ 200 mil. Não tenho essa grana, e agora?
Mais uma vez, calma! Se você não tem dinheiro para abrir seu próprio negócio, bens para deixar em garantia em empréstimos tradicionais e caríssimos, como os bancários, por exemplo, saiba que há outras alternativas.
Uma saída bastante viável é por meio do Crowdfunding.
Crowdfunding é uma espécie de financiamento coletivo. Em outras palavras é uma forma de arrecadar recursos para viabilizar um projeto através de múltiplas fontes. Muitos inclusive chamam de “vaquinha”, mas como a idéia é viabilizar um negócio, excluiria essa terminologia.
Como essa prática foi redesenhada pelos empreendedores da atualidade também se fez necessário algumas adaptações. Mas em tese, o que seria o Crowdfunding para você abrir seu tão sonhado mercado de produtos fitness e como seria possível viabilizar?
Partiremos do princípio de que agora você já possui um Plano de Negócios. Lembra? Você fritou seus neurônios para fazê-lo e hoje ele existe. Com o seu Business Plan em mãos, você pode, sem utilizar nenhuma plataforma digital, começar sua arrecadação. Para isso, primeiro você precisa definir as recompensas para quem te “ajudar”.
A primeira forma, porém descartada por se tratar de uma empresa, é através da doação. Esqueça isso; brasileiros não possuem essa cultura. A segunda, através de empréstimos (onde haverá uma devolução do que arrecadar) e então se faz necessário calcular como seu negócio poderá rentabilizar suas fontes de captação de modo à não absorver um passivo comprometedor. A terceira, é através de uma retribuição (onde a pessoa que contribui recebe uma recompensa, no caso pode ser o próprio produto). Na quarta e última, através da participação no seu negócio, também conhecido como equity.
No caso da participação, a que considero mais viável, o empreendedor cede uma parte do seu negócio, proporcional ou não ao tamanho da ajuda, ao participante da arrecadação. Na verdade, vejo com muito bons olhos o conceito de “dividir para multiplicar”. No entanto, isso exige maturidade tanto do empreendedor quanto do participante, pois, em um país de baixo estudo, pouca cultura e de frequentes “disputas” sociais, não será uma tarefa fácil não dividir o seu negócio, tão bem desenhado no Business Plan mas, encontrar pessoas que queiram caminhar com você não sendo as “donas” da idéia. Infelizmente, e isso temos que admitir, vivemos em uma sociedade cuja batalha de egos é maior que os objetivos pessoais.
Mas, sem pensar nesse entrave e, considerando que seu negócio para funcionar necessita de R$ 200 mil, comece fazendo uma lista de pessoas físicas e jurídicas que podem, potencialmente colocar dinheiro na sua idéia, no seu sonho, no seu empreendimento. Veja, 10 pessoas com R$ 20 mil já é um número suficiente para tê-las em sociedade, dividir seus lucros e, inclusive, expandir seu negócio para outras fronteiras. Mas para isso você precisa do principal: Pensar enquanto empresário; pensar João, que você não come do caixa da empresa e sim, da sua retirada Pró-labore (que nada mais é que o salário do empresário). Você terá que escolher João, se deseja comprar o carro com o dinheiro da empresa que deve repor seu estoque ou, adiar essa compra, fazendo-a com o “salário” que sua empresa lhe paga. Ah, não esqueça da divisão dos resultados, afinal, tem 10 sócios.
É uma longa caminhada, não? Difícil? Trabalhosa? Não para um empreendedor!
Empreendedores são resilientes por natureza. São solitários, dedicados, disciplinados e creia, depois que uma ideia está em sua cabeça, será mais fácil arrancar sua cabeça do que a ideia. O importante é não desistir. Se não sabe por onde começar, procure ajuda especializada. Há no país, excelentes consultores que poderão nortear seu projeto e torná-lo sustentável. O Brasil precisa de empreendedores; penso que deveria ser a primeira opção de uma pessoa – empreender – e não a ideia de tornar-se um funcionário público que aumenta o tamanho do Estado e diminui o tamanho do País!
Em tempo, atualmente existem algumas plataformas online onde você pode arrecadar fundos para sua causa, como a Kickante.com.br, Juntos.com.vc e Broota.com.br, citando apenas algumas. E, é bom lembrar que algumas plataformas oferecem campanhas do tipo Flexíveis ou Tudo ou Nada e encampam projetos empresariais ou, exclusivamente sociais.
Já sabe o que deseja? Então mãos à obra, boa sorte e sucesso!
Fabiano Faria
Empresário no setor de transportes


