28/06/2015 09h10
Em uma espécie de “conta fantasma”, qualquer um poderia depositar dinheiro, de modo donativo, julgando estar ajudando na causa benéfica do amistoso.
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As suspeitas entorno da relação entre a Fundação Messi, que organiza os amistosos dos Amigos de Messi, e um cartel de drogas mexicano, o Los Valencia, aumentaram a partir do depoimento de uma testemunha que, sob custódia da Justiça Americana, colaborou com as investigações da DEA (Agência Antidroga). O depoimento foi revelado pelo jornal El Mundo na última quinta, e esclarece o possível esquema de lavagem de dinheiro.
O sistema seguia uma lógica complexa. Em uma espécie de “conta fantasma”, qualquer um poderia depositar dinheiro, de modo donativo, julgando estar ajudando na causa benéfica do amistoso. No entanto, a conta nada mais seria do que um receptáculo de dinheiro cujo montante supera em muito o que seria possível arrecadar com a venda das entradas. Essa era a forma de um dos cartéis mais tradicionais do México, que já foi responsável por um terço da cocaína que chegava ao território norte-americano, passar suas contas a limpo.
Há algum tempo a Agência Antidroga estadunidense vinha investigando a utilização dos jogos comemorativos de Messi, entre 2012 e 2013, como forma de “reunir doações”, lavando o dinheiro destinado aos narcotraficantes do México. Segundo o delator, o cartel Los Valencia garantia a lavagem do dinheiro sujo mediante a compra de entradas fictícias para os jogos dos amigos de Messi, em um esquema conhecido como ‘fila zero’.
Como recompensa por servir de suporte para o esquema, especula-se que tenham depositado 1,7 milhões de dólares (cerca de R$ 5,1 milhões) na conta de Guillermo Marín, representante de Messi na Argentina. A informação foi revelada pelo colombiano Andrés Barco, organizador dos amistosos de Messi na América Latina. A troca de favores garantia a manutenção do esquema, e a organização do evento dividia a recompensa com ONGS e Fundações que promoviam o jogo.
Ainda em 2013, tanto o representante de Messi quanto alguns jogadores do Barcelona convidados para os jogos foram chamados pela Justiça espanhola para prestar esclarecimentos sobre a organização desenvolvimento dos eventos. Nem o atacante, nem os representantes em seu entorno manifestaram-se a respeito das acusações de lavagem de dinheiro.


