29/10/2013 17h30
TJ concede liberdade a suspeito de morte de jovem em show, em MS
Segundo advogado do empresário, ele está solto desde a noite de sábado.
G1 MS
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) concedeu liberdade a Ronaldo Solis, suspeito de envolvimento na morte de Idenilson da Silva Barros, 20 anos, encontrado morto na madrugada do dia 19 no estacionamento de um evento no Jóquei Clube, em Campo Grande. Segundo informado nesta terça-feira (29) pelo advogado do empresário, Valdir Custódio, ele foi solto às 22h09 (de MS), de sábado (26), por liminar assinada na mesma data pelo desembargador Ruy Celso Barbosa Florence.
Para o delegado Cláudio Martins, que fez o pedido de prisão e é responsável pela apuração sobre a morte do jovem, a liberdade do empresário “vai atrapalhar as investigações”. “Com eles presos iríamos ouvir o restante das testemunhas presenciais”. Um segurança também suspeito pelo caso está preso e outro foragido.
Testemunhas
Consta no relatório de concessão de liminar, que um dos argumentos utilizados para pedido e decretação da prisão foi para a conveniência da instrução criminal. Para que testemunhas pudessem ser ouvidas sem temor. Sobre isso, o desembargador que deferiu o habeas corpus diz. “Não há indicação de nenhum fato praticado pelo paciente que possa ter incutido nelas tal sentimento”.
Um dos depoimentos que levaram os policiais aos suspeitos foi o de André Luiz da Cruz Pereira, 23 anos. Poucas horas após conversar com a polícia, ele foi assassinado a tiros.
De acordo com o delegado, o rapaz havia sido agredido por seguranças da empresa de Solis em outro show também realizado no Jóquei Clube, em maio, e deixado no estacionamento. Conforme Martins, nas declarações feitas à polícia, Pereira falou sobre as agressões.
A prisão também foi decretada por conta dele ter sido reconhecido por testemunhas como um dos homens s que retirou a vítima do camarote. Para o desembargador, apesar do reconhecimento, estas mesmas pessoas falaram que não viram para onde Barros foi levado e não presenciaram “atos subsequentes que antecederam a morte”, desta forma, concluiu que “não há, pois, nenhum indício verosimilhante vinculando o paciente à morte da vítima, mas apenas suposições”.
Morte
Barros participava de um show sertanejo quando, segundo relatos de amigos dele à Polícia Civil, se envolveu em uma discussão e foi retirado do evento por seguranças, que o agrediram. O corpo dele foi encontrado com ferimentos no estacionamento do evento.
Perícia apontou que a causa da morte foi o atropelamento e que Barros foi arrastado por 12 metros e o corpo encontrado a 40 metros da área do show.
Peritos encontraram no local uma peça de veículo e no corpo do rapaz marcas de carro. Com essas informações, eles chegaram à conclusão sobre o modelo de automóvel que atropelou o jovem: um carro de passeio importado.
Inicialmente a polícia divulgou que o atropelamento poderia ter sido acidental. No entanto, a investigação já aponta que pode ter sido propositadamente. O responsável pelo automóvel não foi localizado.
A prisão do empresário e de dois seguranças que trabalhavam para ele no dia da morte de Barros foi pedida no dia 9 de julho e decretada dia 14 de outubro. Solis e um dos outros dois suspeitos se apresentaram no dia 23. No despacho de concessão de liminar, o magistrado também leva em consideração a atitude do empresário.
De acordo com o advogado Valdir Custódio, a decisão não se estende aos outros dois suspeitos, mas eles podem pedir extensão da liminar.


