28/10/2017 06h
Megaoperação contra chefes do tráfico apreendeu R$ 1 mi em veículos
Correio do Estado
A Polícia Civil trata com sigilo a identificação dos envolvidos na operação “Ostentação”, deflagrada na manhã de hoje em Campo Grande, que resultou na prisão de 19 pessoas. Os presos seriam líderes de duas organizações criminosas responsáveis por fornecer drogas no Brasil e exterior.
O Portal Correio do Estado apurou que um deles já é conhecido em Campo Grande como “traficante ostentação”. Kauê Vitor Santos da Silva, 27 anos, tem passagens desde a adolescência.
Em março do ano passado, foi condenado a sete anos de prisão por tentar matar, com três tiros, um rival que lhe cobrava dívidas, crime ocorrido em plena luz do dia, em dezembro de 2010, no bairro Universitário.
Entretanto, mesmo com um currículo criminoso em que acumulava pelo menos quatro detenções, algumas ainda quando era adolescente, Kauê ganhou o direito de liberdade provisória por ter ficado quatro anos em cárcere.
Em agosto deste ano foi preso novamente, armado com uma pistola calibre .380. Voltou a ganhar liberdade e agora acabou detido de novo.
Outro preso é Dayvid de Oliveira Camargo, que participou do roubo de 15 toneladas de carne em março do ano passado. Ele e outros quatro comparsas roubaram um caminhão frigorífico que saiu de Barra dos Bugres, no Mato Grosso, com destino a Cascavel, no Paraná, mas acabaram detidos pela polícia.
Também estão entre os presos Clayton Francisco Nunes, Guilherme de Azevedo e Paulo de Carvalho. Além de duas mulheres idenficadas apenas como Kauane e Daiane.
O advogado Hamilton Ferreira de Almeida defende Kauê Vitor e as duas mulheres. Ele afirmou que ainda não teve acesso ao processo.
Na saída da delegacia, a mãe de Kauê afirmou que o filho é inocente. “Estão dizendo que meu filho é isso (traficante), mas a gente trabalha, tem uma loja de utilidades domésticas”, disse a mulher, que não quis se identificar.
Os presos foram levados para a Denar (Delegacia Especializada na Repressão ao Narcotráfico), mas parte deles será encaminhada para Derf (Delegacia Especialziada em Roubos e Furtos). No fim da tarde, um comboio com três viaturas deixou a delegacia em alta velocidade.
OSTENTAÇÃO
De acordo com o delegado Cleverson Alves dos Santos, da Denar (Delegacia Especializada na Repressão ao Narcotráfico), a investigação começou há oito meses.
“Geralmente nós prendemos quem põe a mão na massa, mas depois de meses dessa investigação, de reunir informações, conseguimos fechar quem realmente comanda o tráfico, gente que nem coloca a mão na droga, mas são os principais cabeças da organização”, explicou.
Segundo o delegado, com os mandados em mãos, cerca de 60 policiais de 17 delegacias vasculham residências e comércios em vários pontos da cidade. Um dos endereços visitados foi uma boate na Rua 26 de Agosto, próximo a Bandeirantes. A polícia não revelou detalhes sobre prisões ou apreensões no local.
Hoje a polícia cumpre 20 de mandados de prisão e cerca de 40 de busca e apreensão, somente em Campo Grande. Até o fechamento desta reportagem, 18 pessoas, sendo metade mulheres, haviam sido presas. Entre as apreensões estão duas armas de fogo, sendo uma pistola e um revólver de calibres não informados, além de cerca de R$ 1 milhão em veículos, entre eles um Camaro, duas BMW, Corola, SUW, e um I30.
Ainda segundo o delegado, a polícia solicitou o bloqueio de contas dos suspeitos, que costumam ostentar a riqueza que conquistam por meio do crime. A operação, que começou por volta das 5h, continua até que sejam cumpridos todos os mandados.


