A Polícia Civil prendeu em flagrante os autores da violação do túmulo de Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, vítima de feminicídio em Eldorado. Os suspeitos confessaram o crime, inclusive admitiram necrofilia, prática de ato libidinoso contra cadáver.
A violação ocorreu poucos dias após o sepultamento da vítima, assassinada a tiros dentro de casa no último domingo (12). O ex-companheiro, autor do feminicídio, tirou a própria vida em seguida, no quintal da residência.
Assim que a violação da sepultura foi constatada, a Polícia Civil iniciou diligências e conseguiu identificar os envolvidos em curto intervalo de tempo.
“Após o sepultamento da vítima, no amanhecer da quarta-feira, os funcionários do cemitério municipal, ao chegarem lá, perceberam que o túmulo estava violado e ela havia sido retirada para fora. Além da violação do túmulo, as suas vestes da parte de baixo também haviam sido retiradas, aparentando que havia ocorrido ali uma violação sexual contra ela”, explica o delegado.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Polícia de Eldorado, sob responsabilidade do delegado Robilson Júnior Albertoni, e resultaram na identificação e prisão de todos os suspeitos em menos de um dia. Durante as buscas, um dos suspeitos tentou fugir ao perceber a aproximação das equipes e correu para uma área de mata. Os policiais mantiveram buscas ao longo de toda a noite, inclusive com o uso de drone.
O homem foi localizado nesta quarta-feira (16) e levado à delegacia, onde confessou o crime. Segundo a polícia, ele detalhou a ação e indicou a participação de outros dois envolvidos. Os demais suspeitos foram identificados e presos. Todos permanecem à disposição da Justiça e devem passar por audiência de custódia.
A ocorrência é tratada como vilipêndio de cadáver, crime previsto no Código Penal, e ganhou repercussão pela brutalidade e pela sequência de violência contra a vítima, que foi assassinada e teve o corpo violado dias depois.

Filha de Vera, Letícia Gabrielly afirmou ao Campo Grande News que a nova violência fez a família reviver o luto. “Foi como enterrar minha mãe pela segunda vez.”
Ainda sem conseguir processar a perda, ela descreve a situação como um limite que não deveria ser ultrapassado.
“É um desrespeito, uma falta de empatia, uma falta de humanidade. Eu só quero respeito pela minha família e pela trajetória dela.”
A vítima trabalhava na Secretaria Municipal de Educação e foi morta com dois tiros dentro da própria casa, no Bairro Jardim Novo Eldorado. O relacionamento com o autor durou 13 anos e, segundo apurado, era marcado por histórico de violência doméstica. Vera já havia solicitado medida protetiva.
A filha do casal, de 9 anos, presenciou o crime.
Dias depois do enterro, o túmulo foi violado no cemitério do município, dando início a uma nova investigação que agora resultou na prisão dos envolvidos.
Nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul registrou 17 casos de vilipêndio de cadáver, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). Apesar de não ser um crime frequente, os registros ao longo dos anos mostram que episódios desse tipo se repetem em diferentes regiões do Estado.
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