Pesquisa que será iniciada em Campo Grande com cães e gatos também está sendo realizada em outros estados do Brasil — Foto: Alexander Biondo/UFPR

Pesquisa terá 100 voluntários e tem a expectativa de provar que animais domésticos podem até contrair a doença, mas não sofrem sequelas e nem transmitem para seres humanos. Testes devem começar a ser realizados em novembro.

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) deve iniciar, em breve, uma vigilância em cães e gatos cujos tutores estão com casos ativos ou já foram diagnosticados com Covid-19. O objetivo da pesquisa é de investigar se as pessoas estão transmitindo a doença para os animais domésticos e se eles permanecem assintomáticos.

De acordo com a professora Juliana Arena Galhardo, coordenadora do projeto e professora da Famez, a pesquisa já é realizada em outros estados, e deve começar em Campo Grande em novembro. A ideia é que sejam 100 voluntários, tutores de pet, e que já tiveram ou estão com o coronavírus. “Em cada casa de voluntário, será coletada a amostra de pelo menos um pet. Depois de 7 ou 15 dias, retornaremos e faremos outra coleta. Assim, conseguiremos ter ideia se nesse período houve mudança no perfil de anticorpos ou até na detecção da Covid-19 nesses pets”, explica.

Os voluntários serão selecionados a partir de novembro, e poderão entrar em contato a partir de um e-mail criado pela Famez especificamente para a pesquisa. De acordo com a pesquisadora, até o momento, o vírus já foi detectado em algumas espécies de animais e também em cães e gatos. O primeiro caso em gatos no Brasil foi registrado neste segunda-feira (19),em um animal de Cuiabá (MT). Juliana destaca, porém, que o vírus ainda não foi detectado em outras espécies de produção, como por exemplo em bovinos, ovinos, suínos, aves e peixes.

Ainda conforme a pesquisadora, a ideia da pesquisa é também de tranquilizar os tutores de animais quanto aos riscos do coronavírus. “Muitas pessoas, inclusive lá no início da pandemia, ficaram com medo e passaram a abandonar seus pets. Precisa ficar claro que as pessoas que transmitem para o animal, e não o oposto. Também vamos investigar se alguns comportamentos do humano com o bichinho podem facilitar a transmissão, como dormir com o animal e dar beijos”, aponta.

De acordo com Galhardo, a pesquisa também tem a intenção de entender a relação de humanos e animais e o ambiente quanto aos casos de Covid em cães e gatos. “Queremos entender o motivo de algumas casas terem transmissão e em outras, não. A expectativa é que ao fim da pesquisa, possamos entender que as pessoas podem transmitir a doença para os animais, mas que eles continuam bem e sem transmitir para seres humanos”, finaliza a pesquisadora.

O projeto tem prazo para terminar em fevereiro de 2021, mas a ideia dos pesquisadores é de chegar a um resultado antes deste período.

Fonte: G1 MS

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