05/03/2014 13h40
Presidente Maduro se viu obrigado a fazer concessões a empresariado e militares
G1
Há um ano, numa tarde de terça-feira, a Venezuela parou. Alguns comemoraram em silêncio e muitos choraram – e continuam chorando até hoje – a morte do presidente Hugo Chávez, de câncer.
O luto e a paralisia gerados pela morte do líder da “revolução bolivariana” colocaram à prova o chavismo no ano mais difícil de sua história e dificultaram a transição do poder para seu herdeiro político, Nicolás Maduro.
Eleito em abril num pleito apertado – e contestado pelo líder opositor Henrique Capriles -, Maduro assumiu um governo adequado ao estilo de Chávez, uma das razões pelas quais se tornou difícil administrá-lo.
Sem contar com o carisma que auxiliava o líder bolivariano a driblar conjunturas adversas, Maduro assumiu as rédeas de um país com uma economia em crise.
Filas intermináveis para comprar produtos escassos da cesta básica, uma inflação anual acumulada em 56% e altos índices de criminalidade aumentaram o descontentamento da população e colocaram à prova a capacidade de Maduro de levar adiante o projeto chavista, sem rupturas.
Chavez onipresente
A imagem onipresente e onipotente de Chávez se fortaleceu ainda mais após sua morte e passou a servir de pilar fundamental de sustentação do governo.
Qualquer ação do Executivo é feita “em nome do comandante”.
Outdoors, murais, exposições fotográficas, tudo leva o nome do ex-presidente.
“Não foi um ano com Maduro, continuou sendo um ano com Chávez. Maduro conta com apoio popular adquirido por sua condição de herdeiro político”, afirmou à BBC Brasil Oscar Schemel, diretor da consultoria Hinterlaces.
Evocar Chávez e a unidade em torno de seu legado é uma tática utilizada por Maduro – de acordo com analistas – para evitar acirrar disputas internas entre as diferentes correntes do chavismo. Maduro continua sendo visto como o “administrador” da revolução idealizada por Chávez.
Sua popularidade, que chegou a alcançar 61% em dezembro, caiu drasticamente no último mês, para 46%, devido ao aumento da escassez de produtos básicos e uma “magnificação dos problemas econômicos”, diz Oscar Schemel.
Os problemas econômicos acabaram se tornando a principal bandeira de estudantes e outros venezuelanos que simpatizam com a oposição antichavista e que tomaram as ruas para exigir a renúncia do presidente.

