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Um mês após chacina que matou 19, manifestantes cobram punição

14/09/2015 06h10

Trinta pessoas realizaram protesto na Avenida Paulista neste domingo.

G1

Neste domingo (13), foi o dia em que a chacina de Osasco e Barueri completou um mês, cerca 30 pessoas ligadas ao movimento Rio de Paz protestaram neste domingo (13) na Avenida Paulista pedindo a punição dos responsáveis pelas 19 mortes.

Amordaçados e com a faixa com a pergunta “Quem matou os 19?”, os manifestantes protestaram ao lado da mãe de uma das vítimas. “Dor e revolta”, disse Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luiz de Paula, conhecido como “Abuse”, morto em um dos ataques.

“Eles todos morreram sem saber o porquê. Foi uma coisa tão estúpida que não teve nem como se defender. Inclusive meu filho morreu sentado”, completou.

Esse é o terceiro protesto de movimento, que já colocou sacos pretos representando os corpos das vítimas na calçada da Avenida Paulista e neste domingo fincou 19 cruzes com os nomes das vítimas. Além das mordaças e cruzes, os manifestantes também acenderam velas em homenagem às vítimas.

Para o organizador, Claudio Nishikawara, “é muito perigoso” passar um mês sem a elucidação de um caso como esse. “Para nós, é um comprometimento da democracia”.

Na noite de 13 de agosto de 2015, 19 pessoas foram mortas e sete ficaram feridas em ataques realizados por homens armados em pouco menos de três horas em dez lugares das cidades da Grande São Paulo. Familiares das vítimas sentem medo e enfrentam dificuldades para retomar a vida após a perda dos parentes.

Documentos obtidos com exclusividade pelo SPTV mostram contradições no depoimento do único policial militar preso pela chacina.

O soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Fabrício Emmanuel Eleutério foi reconhecido por um homem que sobreviveu ao ataque, na Rua Suzano, em Osasco. A principal hipótese para a chacina é a de que ela tenha ocorrido em represália pela morte de um policial militar em Osasco.

Primeiramente, Fabrício disse aos investigadores do Departamento de Homicídios (DHPP) que, na noite da chacina, ele buscou a noiva no shopping, a levou para casa e comeram pizza congelada. Depois, à Corregedoria da Polícia Militar, ele disse que pediu pizza e, inclusive, recepcionou o entregador.

Fabrício foi reconhecido, primeiramente, por foto, quatro dias depois, na delegacia. “O reconhecedor reconhece sem sombras de dúvidas e com absoluta segurança o indivíduo de número 03, de nome Fabrício Emmanuel Eleutério”, diz o inquérito.

Fabrício já era investigado pelo envolvimento em chacinas ocorridas em 2013 e, por isso, estava afastado das ruas e fazia apenas serviços internos.

Outros 18 policiais militares, quatro guardas municipais de Barueri e um vigilante ainda são considerados suspeitos, mas a polícia reforçou as investigações sobre seis policiais por suspeita de participação direta nas mortes.

Na semana passada, a força-tarefa que investiga a chacina conseguiu uma informação importante com uma testemunha. Ela disse ter visto o carro prata que aparece nas imagens de câmeras de segurança, em Barueri, também no primeiro local dos ataques em Osasco, onde oito pessoas foram mortas.

Veja detalhes sobre o caso:

Que horas e onde foram os ataques?

Os ataques iniciaram por 20h30, quando dez pessoas foram baleadas na Rua Antonio Benedito de Ferreira, em Osasco. Destas vítimas, oito morreram e duas ficaram feridas. O último ataque ocorreu por volta das 23h10 na Rua Irene, em Barueri. (veja o infográfico abaixo para ver todos os locais dos crimes)

Quantas pessoas foram assassinadas?

Foram mortas 19 pessoas. A 19ª vítima morreu 14 dias depois da chacina, no hospital. Veja quem são as vítimas de ataques na Grande São Paulo.

Há alguma relação entre as vítimas?

Não há um ponto forte em comum entre as vítimas – elas têm entre 16 e 41 anos e empregos diversos. Seis dos 18 mortos tinham passagem pela polícia. Foram 15 mortes em Osasco e três em Barueri.

Há suspeita de que policiais ou guardas-civis tenham cometido os crimes?

É a principal hipótese apontada pela Secretaria da Segurança Pública, mas ainda não há uma confirmação. A suspeita foi levantada já que, no mês de agosto, o guarda-civil Jefferson Rodrigues da Silva, de 40 anos, e o policial militar Avenilson Pereira de Oliveira, de 42 anos, foram assassinados na região.

O cabo Oliveira foi morto a tiros, no dia 7, por dois criminosos ao reagir a assalto a um posto de combustíveis. Ele era da Força-Tática do 42º Batalhão da PM (BPM), responsável pela segurança na região, mas estava sem farda. A dupla usou a própria arma do policial para matá-lo e fugiu. O DHPP já identificou os suspeitos, que são procurados pela Justiça.

O guarda Jefferson Silva foi baleado e assassinado em 12 de agosto por três assaltantes que tentaram roubá-lo. Ele também estaria à paisana. Os criminosos fugiram. Na noite seguinte ao assassinato do guarda, começaram as ondas de execuções em Osasco e Barueri.

A Corregedoria da Polícia Militar interrogou 32 policiais militares que trabalhavam em Osasco e Barueri na noite de quinta-feira (13) e diz que eles são testemunhas.

Quais as principais pistas da polícia?

As imagens das câmeras de segurança dos locais dos crimes, que mostram os homens encapuzados, as cores e tipos dos veículos e o momento em que ocorreram os crimes. A polícia também interrogou os sobreviventes da chacina.

Cápsulas de quatro diferentes calibres de armas foram encontradas perto dos corpos das vítimas. Nota da secretaria confirmou que peritos do Instituto de Criminalística (IC) identificaram munição de armas 9 mm (de uso das Forças Armadas), 38 e 380 (de uso de guardas-civis), e 45 – que não é usada pela PM, mas existe na Polícia Civil, embora esteja em desuso.

Mensagens de áudio disseminadas pelo Whatsapp no momento e após os crimes também são analisadas pelos investigadores. Na manhã de segunda-feira (17), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, informou que o governo vai oferecer R$ 50 mil a quem repassar informações que esclareçam a série de ataques. Possíveis novas provas devem ser encaminhadas pelo site webdenuncia.org.br.

Quem está trabalhando na força-tarefa para elucidar o crime?

A equipe montada pela secretaria possui 50 policiais civis, sendo 30 do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro) e 20 do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). São 12 peritos e 8 médicos legistas.

O Ministério Público (MP) acompanha as investigações. Além dos promotores Marco Antonio de Souza e Helena Bonilha, de Osasco, e Vitor Petri, de Barueri, acompanharão a investigação sobre os crimes o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep).

A Corregedoria da Polícia Militar também está envolvida na investigação, já que há possibilidade de envolvimento de agentes nos crimes.

Como está a rotina da região?

Desde os ataques, os comerciantes que trabalham próximo aos locais dos crimes têm fechado as portas mais cedo. Moradores também relataram que as pessoas têm evitado circular pelas ruas. Foram colocadas flores em frente ao bar onde balearam 10 pessoas.

Cartazes fixados na parede pedem respostas sobre os crimes, punição aos responsáveis e justiça. Eles também dizem não confiar na polícia. Para tentar garantir a segurança da população, as cidades receberam o reforço de 83 policias militares e 43 viaturas.

Quantas chacinas ocorreram este ano?

Essa é a sexta chacina de 2015 na Região Metropolitana de São Paulo. Outras cinco foram registradas desde o início do ano e, destas, três foram elucidadas, segundo o Secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes.

Entre as chacinas anteriores estão a série de ataques no Jardim São Luís, na Zona Sul, em março, com dez mortes, e outro ataque no mesmo bairro, em junho, com mais seis mortes, e o ataque na sede da torcida organizada Pavilhão Nove, na Zona Norte, em abril, onde oito pessoas morreram

Amordaçados, manifestantes seguram velas em protesto contra chacina (Foto: Carolina Dantas/ G1)

Cruzes na Avenida Paulista simbolizam vítimas(Foto: Carolina Dantas/ G1)

Familiares de vítimas protestam na Avenida Paulista (Foto: Carolina Dantas/ G1 )

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