Uso de sebo bovino para biodiesel deve crescer no Brasil após tarifas dos EUA

O consumo interno de sebo bovino para a produção de biodiesel no Brasil deve ganhar força nos próximos meses. A expectativa é que a maior demanda doméstica compense a provável queda nas exportações para os Estados Unidos, após a imposição de uma tarifa de 50% sobre carne bovina brasileira e seus subprodutos.

De acordo com a Scot Consultoria, sediada em Bebedouro (SP), entre janeiro e julho o Brasil embarcou 290,8 mil toneladas de sebo bovino, volume que representou quase 91% das exportações totais do período. Os EUA responderam por cerca de 98% desses embarques.

Impacto da tarifa e ajustes no mercado

Para André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a nova tarifa norte-americana torna as vendas para aquele mercado praticamente inviáveis. Ele considera a medida “proibitória”, mas ressalta que o crescimento da procura interna deve amenizar os efeitos sobre o setor.

Empresas de biodiesel — incluindo frigoríficos verticalmente integrados, que produzem o combustível mas não processam matéria-prima suficiente internamente — devem ampliar as compras de sebo, fortalecendo o consumo local. Atualmente, cerca de 75% do biodiesel produzido no Brasil tem a soja como base, e a Abiove representa os processadores dessa cadeia.

Estratégias para contornar barreiras

As exportações de sebo bovino cresceram até julho também em função da forte demanda dos EUA, resultado da redução do rebanho de gado norte-americano. Para Alcides Torres, fundador da Scot Consultoria, o aumento dos embarques no período pode ter sido uma estratégia antecipada, antes da aplicação das tarifas.

Segundo ele, embora essas medidas tenham aliviado momentaneamente o impacto, a tarifa atual se aproxima de “um embargo” às exportações brasileiras de carne bovina e seus derivados.

Uma alternativa estudada pelo setor seria redirecionar os embarques para países vizinhos, que poderiam reexportar os produtos aos EUA, contornando as barreiras tarifárias. A prática, se adotada, também ajudaria a ampliar a base de compradores internacionais do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio