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sábado, 17 de outubro, 2026

Velhas noticias, sempre atuais. José Alberto Vasconcellos.

07/03/2015 10h

Lidando com as formigas, falando dos ratos instalados e boquiabertos com o tamanho do rombo, dado pelos políticos e seus prepostos na Petrobrás, concluímos, por fim, que as saúvas são as viventes menos nocivas ao País.

Por: Tião Prado

Este jornal, “O Progresso”, que está prestes a completar no próximo dia 21 de abril, o seu 65º (sexagésimo quinto) aniversário, vem fazendo, já há algum tempo, exposição das suas capas antigas e, como parte dessa exposição, para ilustrar àqueles que não conheceram o jornal que circulou nos tempos antigos, publica fac-símile dessas capas, como documento, para apreciação dos seus leitores de hoje.

Como eu escrevo para este jornal há algumas décadas, examino os fac-símiles publicados, procurando encontrar algum escrito meu, ainda do século passado. E foi numa dessas procuras que, na edição histórica de 23 de fevereiro de 1964, já no limiar da contra-revolução de março de 1964, encontrei uma nota interessante, vejamos:

“Saúvas vivem como quer.- Há na Prefeitura de Dourados, um órgão chamado Serviço de Extinção de Saúvas. Dispõe de verba e de pessoa própria. Mas, até parece que nada disso existe, pois, saúva aqui vive como quer, cortando impunemente pomares e jardins sem que ninguém atrapalhe a sua doce vida. Talvez um apelo como o que agora queremos deixar aqui registrado possa surtir algum efeito e fazer com que o Serviço de Extinção de Saúvas da municipalidade comece a trabalhar.” (sic).

Desde então, já corridos cinquenta e um anos, verifica-se que o tal sujeito titular do “Serviço de Extinção de Saúvas” continua desaparecido, porque nos canteiros centrais da cidade, em vários lugares, há panelões de saúva que assustam, pelo volume da terra escavada por elas. — Ah, você quer a indicação de um local? Rua Antonio Emílio de Figueiredo, entre as ruas João Cândido da Câmara e Presidente Vargas (defronte à parte dos fundos do Fórum e bem defronte ao Sindicato dos fiscais do Estado).

— Quer mais? Um de estarrecedor tamanho, você encontra nos altos da Hayel Bon Faker (antiga rua Bahia), ao norte do primeiro semáforo!

Andei fotografando alguns deles. No Parque dos Ipês havia – e foram fotografados – quase um centena de olheiros funcionando a todo vapor, enquanto a brachiaria medrava, também livre de qualquer incômodo, ao lado “daquilo” que um dia funcionou como banheiro (restroom).

Por um lado, é o homem da formiga que não tem mostrado serviço nessa última metade de século; por outro, é a Secretaria de Serviços Urbanos que não vem marcando presença para o mutirão da limpeza e da conservação dos bens públicos. Ajunte-se a essas carências o trabalho
funesto da Sanesul, que cavouca calçadas e a pavimentação das ruas, para resolver seus problemas e cria outros, acompanhados de prejuízos para o munícipe. A calçada da minha residência ganhou duas lagoas, e o asfalto (rua Antonio E. Figueiredo) um canal paralelo à sarjeta e uma lagoa defronte ao portão de entrada.

E assim vamos tocando, nestes tempos bicudos de greve dos caminhoneiros, quando motoristas que trabalham para conseguir, pelo menos, comer, revoltam-se porque até sua comida foi confiscada pelo governo petista, que aumentou o preço do diesel, tornando inviável o frete. Pelo protesto, os caminhoneiros apanham da polícia.

Estarrecedor, revoltante e profundamente degradante, ver um chefe de família que não consegue alimentar a esposa e a prole com o seu trabalho, apanhar da polícia porque, desesperado, fecha uma via, única forma de que dispõe, para protestar contra a coerção que lhe é imposta, para que trabalhe sem ganhar nada.

O quadro apresenta-se ainda mais revoltante, porque o governo que sempre foi leniente com índios, sem terras e outros ajuntamentos de foras-da-lei, que fecham as rodovias que querem, livres de qualquer sanção, resolve agora investir contra o piquete dos caminhoneiros, que não conseguem trabalhar com o valor do frete que recebem, diante do escorchante preço do diesel e do pagamento dos pedágios que, juntos, consomem com a remuneração pelo seu trabalho.

É malfeito estarrecedor, esse modus operandi do governo petista: manda bater em quem trabalha e paga impostos; depois gasta os impostos que arrecadou para sustentar um caterva de militantes teleguiados, a serviço do seu partido político, para que se mantenha no poder. Estranhas e inaceitáveis essas manobras da “presidente”, que nos trata como se tolos fôssemos!

Lidando com as formigas, falando dos ratos instalados e boquiabertos com o tamanho do rombo, dado pelos políticos e seus prepostos na Petrobrás, concluímos, por fim, que as saúvas são as viventes menos nocivas ao País.

Aos caminhoneiros, diria Ademar de Barros: “—Fé em Deus e pé na taboa!”

03.03.2015 (4640) Membro da Academia Douradense de Letras.

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Velhas noticias, sempre atuais. José Alberto Vasconcellos.