Agente da Polícia Federal não teria mandado para apreender documentos em quitinete
01/08/2018 06h20 – Correio do Estado
Vídeo anexado no processo do ex-governador do Estado, André Puccinelli, mostra que a entrada da Polícia Federal na quitinete onde foram apreendidos materiais que também teriam motivado a representação do Ministério Público Estadual (MPE) pela prisão preventiva, teria ocorrido sem mandado judicial. André, o filho, André Puccinelli Júnior e o advogado João Paulo Calves, estão presos desde o dia 20 de junho. (Veja o vídeo abaixo).
O Correio do Estado entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Federal solicitando um posicionamento sobre o vídeo e questionando se havia mandado de busca e apreensão, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
No vídeo, o suposto agente da Polícia Federal questiona o proprietário da quitinete, Luís Gonçalves, sobre a relação do filho de Luis com Puccinelli, ao que o homem responde que seu filho trabalha com Puccinelli Júnior e que este teria pedido para guardar documentos no quarto.
O agente pergunta ainda se os documentos estão no local desde a deflagração da operação Lama Asfáltica e Luís afirma não ter conhecimento, mas autoriza a entrada da Polícia no local.
Em áudio que também foi anexado ao processo, o proprietário afirma que não apresentaram mandado e que entraram para averiguar porque ele autorizou e não “iria contra um delegado da Federal”.
Advogado de Puccinelli, Renê Siufi, disse ao Correio do Estado que a entrada na quitinete foi ilegal, sem o mandado, e que os agentes da PF levaram materiais que “não dizem nada”.
“Pegaram uma maquete do Aquário, medalhas, comendas do André, mas não pegaram documentos, o que pegaram não compromete ele”, afirmou Siufi.
RECURSO
Nesta terça-feira (31), a defesa do ex-governador ingressou com um novo recurso para libertar ele, seu filho, André Puccinelli Júnior, e o advogado sócio do Instituto Ícone, João Paulo Calves. O habeas corpus foi recebido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), às 10h08 (horário de Brasília). O trio está preso no complexo penitenciário de Campo Grande, localizado no Jardim Noroeste.
Conforme o sistema do tribunal, o recursos foi protocolado ontem (30), às 19h47 (horário de Brasília). Este é o terceiro recurso que a defesa tenta na Justiça para libertar os investigados do Ministério Público Federal (MPF), eles estão presos desde o dia 20 de julho, sendo que André e o filho estão no Centro de Triagem e Calves no Presídio Militar de Trânsito.
A prisão foi decretada pelo juiz da 3º Vara Federal Criminal de Campo Grande, Bruno César da Cunha Teixeira, sendo o primeiro habeas corpus negado pelo desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), Maurício Yukikazu Kato, e um segundo habeas corpus foi negado na sexta-feira (27) pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins. O novo recurso ainda não foi distribuído pelo STF.
O grupo é investigado por crimes contra a administração pública e lavagem ou ocultação de bens oriundos de corrupção. As prisões foram cumpridas em desdobramentos da Operação Papiros de Lama, quinta fase da Operação Lama Asfáltica, que apura fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.
No fim de semana Puccinelli desistiu de concorrer ao Governo do Estado e pediu para que a senadora Simone Tebet o substituísse nas urnas. Simone aceitou ao pedido e é a nova pré-candidata na corrida eleitoral pela administração do

