20/04/2018 06h30
Mensagem do general Villas Bôas foi lida em cerimônia de entrega da medalha da Ordem do Mérito Militar. Presidente Michel Temer e ministros do STF também participaram do evento.
G1
Em uma mensagem lida nesta quinta-feira (19), na cerimônia de entrega da medalha da Ordem do Mérito Militar, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que a corrupção, impunidade, violência e crime organizado são “as reais ameças à democracia”.
No texto, lido pelo cerimonial do evento, ele destacou que nas eleições de outubro caberá à população votar de forma “livre, legítima, transparente e incontestável”.
A mensagem de Villas Bôas foi ouvida por uma plateia formada por militares e autoridades civis, como o presidente Michel Temer e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A Ordem do Mérito Militar é entregue no mesmo dia em que se celebra o dia do Exército.
A fala de Villas Bôas ocorre dias após uma polêmica gerada por um texto postado por ele no Twitter. Na véspera de o STF julgar o habeas corpus para evitar a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o general escreveu na rede social que o Exército compatilhava com a população o “repúdio à impunidade” e que estava “atento às sua missões institucionais”.
Na ocasião, políticos e entidades que se posicionaram contra o texto de Villas Bôas afirmaram que, como comandante do Exército, a postagem poderia soar como pressão sobre o Judiciário.
No texto desta quinta, o general disse que as ameaças à democracia podem retardar “o desenvolvimento do país e prejudicar a estabilidade”.
“Não podemos ficar indiferentes aos mais de 60 mil homicídios por ano; à banalização da corrupção, à impunidade, à insegurança ligada ao crescimento do crime organizado, e à ideologização dos problemas nacionais”, afirmou Villas Bôas na mensagem.
“São essas as reais ameaças à nossa democracia contra as quais precisamos nos unir efetivamente, para que não retardem o desenvolvimento e prejudiquem a estabilidade”, completou o general.
Villas Bôas afirmou ainda que, após o resultado das eleições, a nação deve se unir para “comprometer” os governantes com a vontade dos eleitores.
“Nas eleições que se aproximam, caberá à população definir, de forma livre, legitima, transparente e incontestável, a vontade nacional. Definido o resultado da disputa, unamo-nos como Nação. Será esse o caminho para agregar valores, engrandecer a cidadania e comprometer os governantes com as aspirações legitimas de seu povo. O Exército acredita neste postulado”, disse o general na mensagem.
Mensagem de Temer
Também foi lida na cerimônia uma mensagem do presidente Michel Temer, na qual ele afirmou que a trajetória do Exército “é motivo de orgulho para os brasileiros”.
Temer disse que Exército, Marinha e Aeronáutica são “instituições de Estado”, com hierarquia e disciplina, “vocacionadas a perseguir objetivos de longo prazo da nação”.
“É assim no cumprimento de sua tarefa precípua de defesa do território nacional, nas ações de garantia da lei e da ordem, sempre à luz da Constituição, e na participação em missões de paz mundo afora”, declarou o presidente.
Ele disse ainda que os militares são recebidos com “respeito e confiança” pelo país e citou a intervenção federal no Rio de Janeiro.
“Agora mesmo no Rio de Janeiro, testemunhamos a dedicação do Exército, como das demais Forças, à missão incontornável de romper a ordem pública naquele estado, ordem que vinha fracamente comprometida pela ação intolerável do crime organizado”.
Entrega de medalhas
Entre os homenageados com a medalha da Ordem do Mérito Militar estavam os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF.
Barroso é o relator do chamado inquérito dos portos, que apura se Temer editou um decreto que beneficiou empresas do setor portuário em troca de propina. O presidente nega.
Moraes foi ministro da Justiça do governo Temer e indicado para o STF pelo próprio presidente em 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki em um acidente aéreo.
Criada em 1934, a Ordem do Mérito Militar é considerada a principal distinção do Exército, dada a militares, cidadãos, organizações e instituições que tenham prestado relevantes serviços ao Exército. Ela costuma ser entregue em 19 de abril, Dia do Exército brasileiro.
A ordem é estabelecida nos graus grã-cruz, grande-oficial, comendador, oficial e cavaleiro.
Segundo a assessoria do Exército, os nomes dos homenageados são indicados pela instituição à Presidência da República.
Em 2017, por exemplo, recebeu a distinção o juiz federal Sérgio Moro, que conduz processos da Operação Lava Jato em Curitiba, na primeira instância do Judiciário.


