12/05/2014 14h10

Frente a este quadro alguns sintomas são inevitáveis: ansiedade, depressão, dificuldade de memória e de concentração, além de dor de cabeça e sensação de tontura

G1

Imagine viver com dor em várias partes do corpo, geralmente nos músculos ou nas articulações. Todos os dias. Dia e noite, sem parar. O sono fica superficial e não repara o cansaço. Acordar com a sensação de não ter dormido e, de novo, sentindo a dor no corpo que não cessa. Não é nada fácil viver assim, não é mesmo? Mas o mais angustiante não é isso. É conviver com o olhar de dúvida e de descrença – por parte de familiares, amigos e até mesmo de alguns médicos – sobre a veracidade e intensidade dos sintomas relatados. Isso é o mais difícil para as pessoas acometidas: saber que muitos desconfiam e não acreditam que a dor referida apresente tal intensidade a ponto de limitar atividades, desempenho e inabilitar para muitas atividades. Afinal, nenhuma parte está inchada, vermelha ou com lesão aparente e ainda por cima os exames de imagem estão normais.

Frente a este quadro alguns sintomas são inevitáveis: ansiedade, depressão, dificuldade de memória e de concentração, além de dor de cabeça e sensação de tontura. As pessoas também desenvolvem uma grande sensibilidade ao toque humano, pois gera muito desconforto. Por isso evitam alguns tipos de contato físico como um abraço, por exemplo.

Esta é a dura realidade de quem convive com este problema: a fibromialgia, que acomete aproximadamente 2 a 3% da população brasileira, principalmente mulheres, na faixa de 30 a 55 anos de idade.

Importante saber que a causa é desconhecida. Acredita-se que seja uma resposta extrema do cérebro aos estímulos dolorosos. Vamos entender com um exemplo. Imagine que você está com um martelo na mão colocando um prego na parede. Deu uma batida leve e, sem querer, errou o prego e bateu no seu dedo. Seu cérebro é capaz de interpretar o grau da lesão, que no caso foi leve, e fazer você sentir uma dor de intensidade proporcional. Tudo certo. Agora imagine que você levou exatamente a mesma “martelada” leve no seu dedo. Só que seu cérebro está equivocado e faz você entender que a “pancada” foi grande, destas que faz “ver estrelas”. Assim é o cérebro de quem tem fibromialgia. Os estímulos dolorosos são exageradamente interpretados e o sistema nervoso é ativado para fazer a pessoa sentir mais dor. Por isso, não há uma lesão visível ou palpável equivalente à intensidade da dor referida pelas pessoas. Mas para quem sente, a dor é intensamente real.

Não há um exame que diagnostique a fibromialgia. O diagnóstico é feito pelo médico, que observa quais e onde são os pontos de dor mais evidentes, chamados de pontos dolorosos. A boa notícia é que, não obstante muito desconforto, a fibromialgia não causa lesões definitivas ou incapacitantes. Mais importante: o tratamento orientado pode atenuar bastante os sintomas e muitas pessoas tem remissão completa do quadro depois de um tempo que varia para cada um.

A dor incomoda o corpo. Mas pode incomodar mais a alma!

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