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quinta-feira, 1 de outubro, 2026

VozMecê chega a Corumbá com o tropicapolca

Depois de abrir circulação em Nova Andradina, próxima a São Paulo, duo atravessa MS e leva música, audiovisual e formação ao IFMS nos dias 5 e 6 de outubro

Depois de tocar na divisa, agora é a vez da fronteira. O Vozmecê chega a Corumbá na segunda e terça-feira, dias 5 e 6 de outubro, para a segunda parada do projeto “Tropicapolca – Fronteiras e Divisas”. A circulação começou em Nova Andradina, no leste de Mato Grosso do Sul, próxima à divisa com São Paulo, e agora atravessa o Estado até a fronteira do Brasil com a Bolívia. No Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), Namaria Schneider e Pedro Fattori realizam dois dias de atividades gratuitas reunindo música autoral, audiovisual e formação.

A mudança no mapa faz parte do próprio conceito do projeto. Se Nova Andradina colocou em cena as influências que chegam a Mato Grosso do Sul pelas divisas com outros estados brasileiros, Corumbá leva o Tropicapolca a uma fronteira internacional e ao coração do Pantanal. São territórios distintos de um Estado construído também por deslocamentos, encontros e intercâmbios culturais.

Formado por Namaria e Fattori, o Vozmecê define sua música como neo-pantaneira. Polca paraguaia, guarânia e polca-rock encontram psicodelia e ritmos brasileiros numa sonoridade que aproxima o “Brasil profundo” do “país tropical”. As referências fronteiriças convivem com MPB, samba, baião, frevo, maracatu, axé e carimbó, incorporados também durante os anos em que os dois cruzaram 17 estados brasileiros fazendo arte de rua e vivendo temporadas em uma van transformada em motorhome.

VozMecê chega a Corumbá com o tropicapolca

Do disco para a estrada

Essa experiência de movimento e mistura está na origem de “Tropicapolca”, primeiro álbum do Vozmecê. Lançado em setembro de 2024, o trabalho nasceu como projeto audiovisual: são 15 músicas e 15 vídeos produzidos em estúdio próprio, com direção musical de Namaria Schneider e Pedro Fattori. A sonoridade parte da música fronteiriça sul-mato-grossense e paraguaia para dialogar com regionalidades de diferentes pontos do Brasil.

“Fronteiras e Divisas” leva esse conceito para fora do disco e o transforma em circulação. Além das apresentações musicais, o projeto reúne audiovisual e ações formativas, criando pontos de encontro entre artistas, estudantes e a produção cultural contemporânea de Mato Grosso do Sul. Em 2026, o Vozmecê ampliou também sua produção audiovisual com os documentários “Tropicapolca — Vozmecê e a produção musical independente no MS” e “CenAlternativa — MS Geração 20”.

A formação dos integrantes ajuda a explicar esse diálogo entre criação artística e conhecimento. Namaria Schneider é formada em Música pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Pedro Fattori é mestre em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Desde 2019, o Vozmecê vem construindo uma trajetória que inclui festivais e projetos como Campão Cultural, Festival de Inverno de Bonito, MS ao Vivo, Som da Concha, HackTown e Formemus, em Vitória (ES). No Festival Universitário da Canção da UFMS, conquistou o prêmio de melhor música popular com “Tio Sam”.

Corumbá é a segunda das quatro paradas de “Tropicapolca – Fronteiras e Divisas”. Depois dos dias 5 e 6 de outubro na fronteira com a Bolívia, a circulação segue para Ponta Porã, em 18 de novembro, chegando à fronteira com o Paraguai, e termina em Três Lagoas, nos dias 27 e 28. De uma divisa brasileira a duas fronteiras internacionais, o roteiro transforma o próprio mapa de Mato Grosso do Sul em fio condutor para falar das culturas que se encontram, atravessam limites e ajudam a formar o Estado.

O projeto “Tropicapolca – Fronteiras e Divisas” é realizado com recursos do Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul (FIC/MS), por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), com apoio do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).

Fonte: Matula Cultural