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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

1964 – Cinquenta anos depois por Ramão Ney Magalhães

07/07/2014 07h20

1964 e as eleições de outubro de 2014.

Divulgação

Em 1964 o racionamento de alimentos, filas nos Supermercados com a falta de feijão, arroz, carnes, trigo e outros produtos básicos causavam revolta popular.

Como cidadão bem vivido, pois já anteriormente em 1954, cumprindo o serviço militar no ONZE DE CAVALARIA de Ponta Porã conheci de perto os últimos anos do Governo de Getulio Vargas, inclusive cumprindo por mais um ano na caserna, o Estado de Sítio decretado após o suicídio daquele Presidente.

Já formado profissionalmente e casado desde 1960, como produtor rural e com funções terceirizadas na Carteira Agrícola no Banco do Brasil, nesse tempo como qualquer outro cidadão responsável, embora residindo nesta fronteira distante dos grandes centros, vivenciei a calamidade e o desgoverno que assolava a Nação.

O povo aplaudiu o Congresso e os Partidos quando estes convocaram os Militares para pacificar o País.

Assim a partir de 1964 o Brasil viveu então duas décadas de governos presididos por Generais, que com Ministros civis e técnicos construíram a infra-estrutura básica para o desenvolvimento e progresso do País. O novo Regime visava restaurar a Democracia fragilizada por Governantes ineptos contestados pelo Povo nas Ruas, em manifestações similares às que se observam hoje nas grandes cidades brasileiras, com pouca visibilidade na mídia nacional.

O ultimo Presidente/General João Figueiredo, reabriu a Democracia plena com todos os direitos constitucionais restabelecidos, anistia geral e irrestrita inclusive para os cidadãos que até então discordavam daquele regime governamental.

Aproveitadores baderneiros, como os mascarados black-blóc de hoje, que assaltaram Bancos e sequestraram autoridades em ações de guerrilhas condenáveis, também foram anistiados utilizando-se das liberdades da democracia plena restabelecida.

Anistiar esses “bandidos” foi talvez a maior falha e o pior legado herdado dos Presidentes Militares.

Aconteceram então as Eleições Indiretas para Presidente, onde somente votaram os Delegados dos Partidos, sendo eleitos, Tancredo Neves para Presidente e José Sarney vice.

Observe-se que, a legislação eleitoral exigia que as chapas apresentadas registrassem nomes de um mesmo Partido Político, assim o José Sarney que pertencia ao recém criado PFL não poderia ser candidato a vice na chapa de Tancredo Neves.

Artimanhas e manobras permitiram a Sarney trocar de partido na ultima hora, e ele assinou a ficha do PMDB, para a desgraça do Brasil contemporâneo.

Antes da posse do Presidente eleito, quis o destino que o político conservador mineiro, ex PSD, falecido vitima de uma “diverticulite” fatal, não assumisse o governo.

Para evitar uma nova eleição, surgiram novas manobras políticas com o sistema do “toma lá, dá cá” denunciado na época pelo Deputado paulista Roberto Cardoso Alves.

E com esse “pré – mensalão” estabelecido, o vice Sarney e seu novo Partido o PMDB, assumiram a desejada chave mestra dos cofres públicos.

A Nova Constituição que haviam escrito, sindicalista de um lado só, era recheada de direitos populares e populistas.

Surgiu então o fenômeno Collor que pregando moralidade com a derrubada dos “marajás” e sem “emendas e mensalões” perdeu a sustentabilidade no Congresso e foi cassado.

O grande mal da insuficiência de produção e a alta inflação assolavam o País.

Nesse quadro dramático o mineiro moderador Itamar Franco, como vice assumiu a Presidência naquele mandato, convidando o neo-socialista FHC para tratar

da Economia e Finanças, quando criaram e implantaram o Plano Real, que naquele momento foi a salvação do Brasil.

FHC elegeu-se e reelegeu-se, sob essa tutela, e com a primeira dama criando bolsas, cotas para pseudas ou tidas minorias. Até ditando normas para que órgãos governamentais de segundo escalão, leia-se FUNAI, assumisse Portarias/ compromissos, criando conflitos na Questão Fundiária Indígena, maculando o sagrado Direito de Propriedade, explicito na Carta Magna da Nação.

Eis que surge no cenário político nacional um movimento autêntico de trabalhadores sofridos e desejosos por mudanças. Respaldados por Sindicatos e por intelectuais e artistas, que com a sigla PT alcançou o Poder.

Aliando-se ao PMDB e a outras siglas menores oficializaram o “toma lá dá cá” do passado, que com Emendas Parlamentares e o Mensalão julgado e comprovado no STF passaram a governar por Decreto Lei.

O Partido que chegou para promover mudanças comportamentais na sociedade brasileira, com igualdade e cidadania já não é mais o mesmo.

Seus mais importantes idealizadores abandonaram a sigla, e os que permaneceram estão milionários no Poder, sendo que a cúpula do comando partidário foi condenada por corrupção e seu atual endereço é o Presídio da Papuda em Brasília.

No final deste 2014 encerram-se doze longos anos da Era PT.

Foi mais ou menos assim que assisti aos últimos cinqüenta anos da vida Política do meu País.

  • Ex Militante Político do PTB da Era Vargas – ARENA 2 – PDS 2 – PFL.

Hoje aos 79 Anos – Sem filiação Partidária.

Ramão Nei MagalhãesFoto: Arquivo