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sábado, 17 de outubro, 2026

Leia a coluna de Segunda-feira com Waldir Guerra

04/08/2014 06h

É difícil depender de mandatários públicos por Waldir Guerra

Por: Tião Prado

Impressionante a capacidade que os mandatários brasileiros têm em complicar as coisas quando deveriam simplificá-las. Nas administrações públicas, de um modo geral, essa é a norma. Até Ministério da Desburocratização já tivemos por aqui e de nada adiantou.

Quando o ministro Hélio Beltrão assumiu o Ministério da Desburocratização uma das primeiras atitudes foi simplificar as exigências dos cartórios quanto ao reconhecimento de firmas (as assinaturas). Determinou a supressão das estampilhas e também grande parte dessa obrigação de se reconhecer assinaturas; bastariam duas testemunhas. Foi muito bom, mas durou pouco.

Hoje os cartórios continuam grudando estampilhas e carimbos mais que nunca e as filas para cumprir a obrigação de reconhecimento de firma em todos os cartórios do país, de tão grandes, normalmente precisam de senhas.

Pra quê simplificar se complicando gera ganhos para alguns?

A indicação de Dunga, Carlos Caetano Bledorn Verri, para comandar novamente a Seleção Brasileira de futebol é um exemplo disso. E, por favor, não diga que essa questão não é relevante. È importante, com certeza, afinal o futebol faz parte do dia a dia na vida dos brasileiros. Ninguém pode discordar nesse ponto.

Depois, ainda é necessário reconhecer que este assunto é público, sim. Não é da política partidária como estamos acostumados a ver, mas tão importante quanto os demais porque diz respeito a quase todos os brasileiros.

Não interessa agora discutir se Dunga tem ou não capacidade para ser treinador da Seleção porque esse trabalho ele já fez e, por isso, experiência ele tem nesse quesito – até bem mais que outros bons treinadores brasileiros.

Mas, cá pra nós, pra quê complicar ainda mais os ânimos dos torcedores brasileiros indicando-o novamente como técnico agora? Sua conduta dentro da Seleção, quando a comandou, praticamente foi aos moldes autoritários do técnico demitido, Luiz Felipe Scolari.

Só por conta da semelhança com o estilo Felipão já seria bom motivo para não ser indicado. Mas foi! E por conta disso tem gente afirmando que a CBF aprontou essa para desviar os ataques que já tinham começado contra ela – e parece que essa teoria pode estar certa.

Assim, a complicação viria para beneficiar os mandatários atuais da CBF.

Esta semana mais uma, agora é para não simplificar. Edinho, ex-goleiro do Santos e filho do Pelé, foi condenado à prisão, mas no Tribunal de Justiça foi-lhe concedido habeas-corpus para responder por seu crime em liberdade. Para isso teria que usar uma tornozeleira eletrônica para ser monitorado durante as 24 horas do dia.

Esse equipamento é usado por presos do regime semiaberto e é de uso da Secretaria da Administração Penitenciária ao qual a Policia Civil não tem acesso, o que impossibilitou a libertação imediata de Edinho.

Cá pra nós, esses mandatários que controlam as tornozeleiras não poderiam simplificar as coisas e fazer um empréstimo de uma delas à Polícia Civil? Mesmo que fosse apenas para poupar o nosso dinheiro? Sim, porque todos sabem inclusive esses funcionários públicos, que um preso custa uma nota preta para o governo – ou seja, pra eles também.

Impressionante como nossa vida se complica quando dependemos de alguma decisão de um mandatário público no Brasil.

* Waldir Guerra é Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.wguerra@terra.com.br