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domingo, 18 de outubro, 2026

Bumlai vai falar de papel de Lula em delação de Delcídio

07/04/2016 9h30

Segundo Deicídio, Lula teria dito a ele que a delação de Cerveró poderia levar Bumlai a ser preso.

O MPF (Ministério Público Federal) ouve nesta sexta-feira (8) às 14h o pecuarista José Bumlai, em São Paulo, sobre a suposta tentativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de impedir a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Lula foi citado na delação do senador Deicídio do Amaral (sem partido-MS), tornada pública no mês passado.

Segundo Deicídio, Lula teria dito a ele que a delação de Cerveró poderia levar Bumlai a ser preso. Por isso, Lula teria dito que era preciso convencer Bumlai a ajudar financeiramente a família de Cerveró, que estava devendo honorários (a defesa dele e já sinalizava que o ex-diretor da Petrobras poderia fazer delação.

Deicídio narrou, então, que Maurício Bumlai, filho do pecuarista, pagou RS 250 mil à família de Cerveró. Segundo o senador, foram cinco parcelas de maio a setembro de 2015, interrompidas porque surgiram notícias de que Cerveró faria a delação, apesar dos pagamentos. Lula, segundo Delcídio, fez uma “chantagem explícita” para conseguir o silêncio do ex-diretor.

O ex-presidente nega a acusação. Bumlai será ouvido em São Paulo, porque está na cidade, em prisão domiciliar, desde que foi solto pelo juiz Sérgio Moro no último dia 21 para tratar de um câncer na bexiga. O depoimento é parte do inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) que trata do plano de sabotar a delação de Cerveró, conseguindo a soltura do ex-diretor e providenciando a fuga dele para a Espanha.

O esquema foi descoberto em novembro do ano passado, quando áudios gravados pelo filho de Cerveró revelaram o esquema e levaram à prisão o senador e mais três pessoas, entre elas o dono do banco BTG Pactuai, André Esteves.

Defesa reclama de grampo e Moro se explica ao STF

Os advogados do ex-presidente Lula pediram ontem ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma investigação sobre o juiz Sérgio Moro por ter autorizado um grampo sobre um telefone fixo do escritório de advocacia de Roberto Teixeira, amigo e defensor de Lula. Os advogados contestam a versão que Moro deu ontem ao Supremo, alegando que não sabia que era um escritório de advocacia, já que o juiz foi informado duas vezes sobre isso pelas operadoras telefônicas.

A interceptação de ligações entre advogados e clientes é proibida pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), mas Moro explicou ao STF que Teixeira era monitora-do corno investigado, já que é suspeito de ajudar Lula a ocultar a propriedade do sítio em Atibaia (SP). Moro destaca ainda que, no fim das contas, nenhuma ligação desse número foi usa-da como prova no inquérito.

fonte: paranaportal.

(Valter Campanato/Agência Brasil)