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domingo, 18 de outubro, 2026

Estudantes retomam as ruas em defesa da democracia e da educação pública

Em um momento crucial para o futuro do país, o movimento estudantil tem ressurgido com força nas ruas, mobilizando milhares de jovens em diversas cidades. A principal bandeira levantada é a defesa da democracia e da educação pública, em contraponto às incertezas eleitorais e aos riscos percebidos para as instituições democráticas.

Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressaltou o protagonismo de universitários e secundaristas nessa retomada. Ela comparou o cenário atual a outros momentos decisivos da história brasileira, como as lutas contra a ditadura militar, pelas Diretas Já e os impeachments de Fernando Collor e de Jair Bolsonaro, evidenciando a vocação histórica dos estudantes em defender a soberania e os direitos nacionais.

A UNE expressa preocupação com a possibilidade de um governo autoritário, que seria prejudicial à educação e representaria um retrocesso. Além disso, a entidade aponta os desafios enfrentados pelas universidades públicas, como o subfinanciamento crônico e a necessidade de ampliar a assistência estudantil para garantir a permanência de alunos de baixa renda.

A relação entre a defesa da democracia, a valorização da universidade pública e a melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora é um ponto central na discurso da UNE. A organização defende a manutenção do movimento estudantil ativo mesmo após o período eleitoral, enfatizando que a participação coletiva é essencial para a conquista de direitos.

Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou um pedido para barrar publicações de dirigentes de entidades estudantis, incluindo a UNE, nas redes sociais, demonstrando a relevância e o alcance dessas mobilizações.

Bianca Borges, estudante de letras e com vasta experiência no movimento estudantil desde a adolescência, assumiu a presidência da UNE com um histórico de lutas em defesa do ensino público contra propostas de privatização e militarização.

A presidente da UNE detalhou que a mobilização estudantil ganhou força logo após o primeiro turno das eleições, com atos que se expandiram rapidamente. Inicialmente organizados por universitários, os movimentos têm contado com a participação cada vez maior de estudantes do ensino médio e de outros setores da sociedade civil.

Entre as principais reivindicações, a UNE destaca o combate a projetos como o “Future-se”, que, segundo a entidade, atacam o caráter público e o tripé ensino-pesquisa-extensão das universidades. A entidade também critica declarações e ações que deslegitimam os centros acadêmicos e a nomeação de reitores não eleitos pela comunidade universitária, consideradas manifestações de uma agenda antidemocrática.

A entidade vê com preocupação as propostas de Flávio Bolsonaro, que incluem um possível corte de verbas para a educação e a transferência da gestão das universidades federais para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o que, na visão da UNE, visaria a adequação da universidade aos interesses do mercado.

A UNE interpreta o bolsonarismo como um movimento autoritário, marcado pela deslegitimação de organizações populares, criminalização do movimento estudantil e incentivo à violência política. A entidade relembra o incêndio de sua sede em 1964, no dia do golpe militar, e cita ameaças recentes a universidades como exemplos desse espírito antidemocrático.

O apoio ao candidato Lula, segundo a UNE, é visto como a única forma de barrar o avanço do bolsonarismo e fortalecer a democracia e a soberania brasileira, em contraste com um projeto que a entidade considera “entreguista” e alinhado a interesses estrangeiros.

A entidade reconhece que o governo Lula trouxe avanços significativos para a educação, especialmente no ensino superior, e que a luta por mais direitos continuará independentemente do resultado eleitoral. A UNE defende a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil, mais investimentos em universidades públicas e estaduais, e maior fiscalização do ensino superior privado.

Diante da apatia política de parte da juventude, a UNE busca engajar esses jovens através da luta coletiva e da demonstração de que a política institucional, quando voltada para pautas populares, pode gerar transformações reais, como a ampliação do acesso à educação, vista como um passaporte para uma vida digna.

A organização planeja manter a mobilização ativa, independentemente do resultado das eleições, seja para resistir a um possível governo de retrocesso ou para reivindicar melhorias com um governo aliado. A UNE acredita que a força e a longevidade de suas mobilizações dependem da organização permanente dos estudantes e da identificação da maioria da juventude com o movimento estudantil.