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Paulo Bernardo agiu como ‘operador’ de Gleisi na Lava Jato, diz Procuradoria

23/07/2016 07h50

Procuradoria fez pedido ao STF para receber denúncia

A Procuradoria-Geral da República afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ex-ministro e ex-secretário de Estado em Mato Grosso do Sul Paulo Bernardo agiu como o “verdadeiro operador” da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), sua mulher, na Lava Jato.

A afirmação consta no pedido da Procuradoria para que o tribunal receba denúncia contra o casal e o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, abrindo uma ação penal pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A acusação é que a campanha de Gleisi ao Senado, em 2010, teria recebido R$ 1 milhão do esquema de corrupção da Petrobras.

O parecer assinado pela procuradora-geral da República em exercício, Ela Wiecko, afirma que Paulo Bernardo foi responsável por solicitar a propina para a campanha.

“O desempenho dessa função por Paulo Bernardo, como um verdadeiro operador de sua esposa -inclusive valendo-se da importância do ministério então por ele ocupado-, exatamente como dito por Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras] e Alberto Youssef [doleiro], que o apontaram como solicitante da vantagem indevida em favor da codenunciada Gleisi”, diz o texto.

Segundo Wiecko, “a denúncia aponta elementos concretos em relação à lavagem de dinheiro da propina repassada à Gleisi, com atuação de Paulo Bernardo e Ernesto Kugler”.

QUASE UM ANO

Na manifestação, a Procuradoria reafirma que, entre julho de 2010 e outubro de 2010, “terminais vinculados a Paulo Bernardo realizaram 163 ligações para o telefone de Ronaldo Baltazar responsável pela administração financeira da campanha de Gleisi ao Senado em 2010, e 82 ligações para o PT no Paraná”.

A acusação da Procuradoria leva em consideração a delação premiada do advogado Antonio Carlos Brasil Fioravante Pieruccin, que confirmou repasses de dinheiro para a campanha da petista.

Segundo Pieruccini, em 2010, ele foi orientado por Youssef a fazer quatro viagens de São Paulo a Curitiba para entregar dinheiro à campanha de Gleisi, ex-ministra da Casa Civil (2011-2014).

Ele contou ter ouvido de Youssef que os valores “tinham sido acertados com Paulo Bernardo”, ex-ministro do Planejamento (2005-2011) e das Comunicações (2011-2015), e se destinavam à campanha eleitoral da candidata ao Senado.

O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, analisará a denúncia e levará o caso para a segunda turma do tribunal, composta por cinco integrantes.

Se os ministros aceitarem a denúncia, os dois serão transformados em réus. Não há data prevista para essa análise acontecer.

Além desse inquérito sobre a Lava Jato, Gleisi e Paulo Bernardo são investigados por suspeita de participação em um esquema de corrupção no Ministério do Planejamento. Paulo Bernardo chegou a ser preso, a pedido da Justiça de São Paulo, na chamada Operação Custo Brasil.

OUTRO LADO

Em depoimentos prestados à Polícia Federal, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo negaram quaisquer irregularidades na campanha de Gleisi em 2010 ao Senado.

A defesa do casal tem afirmando que não há elementos que justifiquem a abertura de ação penal.
“Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor por parte da Senadora. A denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido.

Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal”, diz o texto assinado pelos advogados Rodrigo Mudrovitsch e Veronica Abdala Sterman.

“São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores que embasam a denúncia, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que seis versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram.”

Segundo os advogados, a delação de Pieruccini demonstra a fragilidade das acusações.

“Ao apagar das luzes, depois de um ano e meio da abertura do inquérito, uma terceira pessoa aparece disposta a dizer que teria realizado a suposta entrega de valores, numa nova versão que foge de qualquer raciocínio lógico. Vale lembrar que esta pessoa é amigo/sócio/ funcionário de Alberto Youssef, o que comprova ainda mais a fragilidade das provas e se vale do mesmo advogado de Alberto Youssef para fazer sua delação.”

Sobre o ex-ministro, os advogados afirmam que “as referências ao ex-ministro Paulo Bernardo na denúncia baseiam-se em declarações contraditórias e inverossímeis. Não houve qualquer envolvimento dele com os fatos narrados na denúncia. Demonstraremos isso com veemência e acreditamos que a denúncia não pode ser recebida”.

TRAJETÓRIA

Paulo Bernardo era funcionário do Banco do Brasil e foi diretor do Sindicato dos Bancários no Paraná. Alçou ao cargo de deputado federal em 1990 e foi reeleito em 1994.

Entre janeiro de 1999 e dezembro de 2000 trabalhou no governo de Mato Grosso do Sul como secretário de Fazenda na gestão de José Orcírio Miranda dos Santos (PT). Foi responsável, na época, por um ajuste fiscal severo e teve seu nome ligado a denúncias de irregularidades na área de comunicação, que posteriormente não foram confirmadas.

Ele ainda atuou na secretaria municipal de Fazenda de Londrina (PR) e chegou ao Ministério do Planejamento em 2005 e seguiu pelo governo de Lula e Dilma Rousseff.

Fonte: Folhapress

Paulo Bernardo e a mulher dele, senadora Gleise Hoffmann, são suspeitos de irregularidades - Foto: Divulgação