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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

10 anos depois, réus da Operação Vintém são inocentados e Semy lamenta

23/08/2016 07h

Ex-deputado lamenta decisão da Justiça Federal após ‘sumiço’ de provas

Midiamax

29 de Setembro de 2006, uma sexta-feira, há quase uma década, foi a data que mudou o caminho político de Semy Ferraz, ex-deputado estadual petista, que então brigava pela reeleição.

Naquela data um policial federal entrou no carro de um dos assessores do parlamentar e achou no banco traseiro santinhos de campanha do deputado grudados em notas de R$ 20, típica cena de crime eleitoral com compra de votos.

Três meses depois, operação conduzida pela própria Polícia Federal, a Vintém, desfez a “descoberta” da batida policial e anunciou: Semy Ferraz foi vítima de uma trapaça eleitoral.

Tarde demais, a eleição já tinha passado. Não reeleito, o deputado mudou-se de Estado com a família, retornou, mas nunca mais reergueu-se como político dono de mandato. No entanto, ele ainda briga na Justiça contra o que chama de ‘maior conluio eleitoral de que se tem notícia em Mato Grosso do Sul’.

Pelo investigado pela PF, que recorreu a escutas telefônicas durante a operação Vintém, a trama engendrada contra Semy implicaria o ex-secretário de Obras, Edson Giroto, o dono de gráfica Alvorada, Micherd Jafar Júnior, André Puccinelli Júnior e Edmilson Rosa, o Rosinha que, mesmo sem ser nomeado ou servidor público supostamente ocupava sala na secretaria chefiada por Giroto.

De acordo com a PF, foi Rosinha quem teria arrombado o carro de Benoal Prado, então assessor de Semy, e colocado dentro os santinhos grudados ao dinheiro. Apesar do relatório da Federal, a 5ª Vara Federal, em Campo Grande, inocentou todos os implicados por interpretar “falta de provas”. E mais: sumiram da seção judiciária em questão trechos dos grampos telefônicos que incriminariam os envolvidos. O caso já zanzou, além da Justiça Federal, pelo Tribunal Regional Federal, em São Paulo e o Supremo Tribunal Federal, corte máxima do país.

Daqui em diante saiba o que Semy Ferraz fez e ainda faz para alcançar a “Justiça”, como diz

Em que pé está o seu processo?

Semy – O processo ainda está aqui na 5ª. Vara da Justiça Federal recebendo as alegações finais para subir para o TRF de São Paulo. O juiz da 5ª. Vara, Dr. Dalton Igor Kita Conrado, proferiu sentença inocentando os réus André Puccinelli Júnior, Edmilson Rosa, Edson Giroto e Micherd Jafar Junior sob o argumento de que não houve inquérito policial conclusivo para a tipificação do crime de denunciação caluniosa. Fazendo uma análise minuciosa, teve inquérito sim e foi concluído 3 meses após o fato, no qual, inclusive, o Edson Giroto confessa que foi ele que ligou para fazer a denúncia na Policia Federal e o Edmilson Rosa confessa que foi ele quem colocou o dinheiro, com os santinhos, no Carro do Benoal. O Juiz foi leniente com o crime, criando um precedente muito perigoso, que pode estimular a “guerra eleitoral” nas próximas eleições, que se avizinha.

Tem noção de quantas vezes foi à Justiça participar de audiências?

Semy – Dia 29 de setembro este crime faz aniversário de 10 anos. Neste período fui ouvido 2 vezes na Policia Federal e 1 vez na Justiça Federal. Fiz mais de 10 viagens para Brasília para acompanhar este processo no STF. Fui recebido duas vezes em audiência pela Ministra Carmem Lucia, que era a relatora dessa ação penal no STF.

O que você gostaria que a Justiça fizesse – punisse os culpados – que puseram os santinhos no carro do seu assessor e arruinou sua campanha, vai pedir alguma indenização?

Semy – Justiça!!! apenas isso, eu peço a Deus. Às vezes, feito aquele personagem de Dostoievski do livro Crime e Castigo, eu também, vez ou outra, em desespero, tenho vontade de sair às ruas, à procura de justiça, contudo, angustiado, continuo pedindo ao meu Deus, principalmente quando o dia 29 de setembro se aproxima. É tudo o que eu mais peço. A Ação de Reparação de Danos teve sentença de primeiro grau a meu favor, condenando os réus a repararem o dano mas, chegando no TJ-MS, o desembargador Pascoal Carmelo reformou a sentença e aí eu recorri. Assim, o processo se encontra hoje em análise no STJ em Brasília.

Por que acha que foi perseguido pela suposta trama eleitoral

Semy – A única motivação foi a minha atuação parlamentar denunciando irregularidades cometidas pela administração do então prefeito de Campo Grande, André Puccinelli. Denunciei e propus várias ações judiciais para apurar responsabilidades no caso do Contorno Ferroviário de Campo Grande, no caso dos Garis Laranjas (ENGECAP), na Área do Papa, etc. Este último se encontra em grau de recurso no STJ.

Por que o processo empacou na justiça, por influência política?

Semy – Tudo indica que sim. Nas audiências que tive com a Ministra Carmem Lucia, no inicio de 2012, ela me garantiu que julgaria o processo e que ação protelatória não funcionava com ela. Chegou em 2013 a Ministra do STF tentou encaminhar o processo para ser julgado aqui na 5ª. Vara, o que foi violentamente combatido pelo Procurador Geral de Justiça Rodrigo Janot. Outro fato lamentável, é o sumiço dos áudios das interceptações telefônicas que desapareceram do processo. Fui falar com o delegado federal Otacílio Dela Pace e ele me garantiu que entregou ao secretário da 5ª Vara todas as mídias em perfeito estado, o qual foi conferido na ocasião. Entretanto, estes áudios ainda não foram colocados no processo até hoje. Diante destes fatos, formo o convencimento de que teve a influência política do ex-governador.

Mais encrencas

De junho do ano passado para cá, nomes que aparecem implicados no operação Vintém, também surgiram noutra operação da Polícia Federal, a Lama Asfáltica. Edson Giroto, o ex-secretário de Obras e ex-deputado federal, foi preso e hoje responde em liberdade processos por suposta ligação com um esquema de corrupção por meio de fraudes em licitações e superfaturamento de obras.

Micherd, o dono da Gráfica Alvorada, é outro cujo nome é citado durante a operação. Ele teria entregue dinheiro, que seria propina ao ex-governador André Puccinelli. Policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador em maio deste ano, por suposta ligação com o esquema que incriminou Giroto. Todos os citados na Lama Asfáltica negam as acusações.

foto:  Jornal Tribuna Livre