19/11/2016 08h30
Calero pediu para sair do governo “por razão de ordem pessoal”. Presidente nacional do PPS, deputado que o substituirá no posto é um dos principais críticos das gestões petistas no Congresso
Congresso em Foco
O agora ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pediu demissão do cargo nesta sexta-feira (18) por questões de ordem pessoal e em caráter irrevogável. Em carta veiculada no site do ministério (leia íntegra abaixo), Calero agradece ao presidente Michel Temer pela indicação e diz que deixa a pasta “com a tranquilidade de quem fez tudo o que era possível fazer” diante dos “desafios e limitações” que diz ter enfrentado. Mais cedo, Calero telefonou para Temer, que está em São Paulo, para falar da demissão.
Presidente nacional do PPS, o deputado Roberto Freire (SP) foi convidado por Temer para assumir a vaga. Senador entre 1995 e 2002, quando voltou à Câmara, Roberto Freire está na sétima legislatura como deputado. Membro da Assembleia Nacional Constituinte, colegiado que produziu a Constituição de 1988, Freire já integrou o PMDB e o PCB antes de se migrar para o PPS, em 1992.
Ex-secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, na gestão Eduardo Paes, Marcelo Calero assumiu o cargo de ministro em maio deste ano, em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff e após Temer assumir interinamente a Presidência da República. Primeiramente nomeado secretário nacional de Cultura, órgão que havia sido vinculado ao Ministério da Educação por algumas semanas, Calero virou ministro definitivamente quando a pasta voltou a ter autonomia, em consequência de manifestações diárias do setor e da própria sociedade civil.
No início de setembro, o ministro perdeu o controle ao ser hostilizado e chamado de golpista durante o Festival de Cinema de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado na internet (veja abaixo), Calero parece dizer “sou golpista sim, com muito orgulho”, mas o ministro nega que tenha dito isso.
“Eles agora publicam mentiras, dizendo que eu teria sido expulso do evento e que teria dito ‘golpista com orgulho’… Mas a gente sabe que mentira, aliada ao discurso do ódio, é a especialidade deles”, informou Calero por meio das redes sociais. “Eu e o público presente nos indignamos com a tentativa de interrupção de um evento que custou muito trabalho e dinheiro às produtoras e ao povo de Petrópolis – e demonstramos isso com altivez”, disse o ministro.


