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quarta-feira, 21 de outubro, 2026

Vovó vota: o movimento que inspira idosos a exercerem seu direito e dever cívico

O ativismo de idosos pela importância do voto tem ganhado força em todo o Brasil, impulsionado por iniciativas como o movimento “Vovó Vota”. Em comunidades rurais e centros urbanos, mulheres com mais de 70 anos demonstram que a idade não é barreira para a participação cidadã, buscando ativamente combater a abstenção e conscientizar outras eleitoras sobre o poder do sufrágio.

Maria Alaídes Alves de Souza, uma quebradeira de coco babaçu de 71 anos, é um exemplo inspirador. Mesmo percorrendo longas distâncias para chegar ao local de votação, ela dedica tempo e energia a mobilizar outras idosas em sua comunidade no Maranhão e em regiões vizinhas. “A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, afirma Maria Alaídes, que reconhece o voto como um meio de garantir direitos e fortalecer a democracia, com foco especial em pautas como as mudanças climáticas que afetam diretamente seu trabalho.

O movimento “Voto 70+”, que idealizou a campanha “Vovó Vota”, celebra a queda significativa na abstenção de eleitores com mais de 70 anos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o percentual de eleitores nessa faixa etária que não compareceram às urnas caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno das eleições mais recentes. A campanha visa intensificar essa tendência, incentivando a participação, inclusive, daqueles que não votaram no primeiro turno.

Histórias como a de Maria Albino Costa, de 85 anos, de Goiás, que não votou no primeiro turno por receio da complexidade, mas decidiu participar do segundo turno com o apoio da família, ilustram a determinação em exercer a cidadania. Ela, que viveu a ditadura militar e a luta pelo direito ao voto, faz questão de ser um exemplo para suas gerações futuras. Professora, sua filha Sandra Oliveira, exalta a trajetória da mãe, combatendo o machismo que ainda se manifesta em algumas manifestações de alunos sobre o voto feminino.

Em Pernambuco, a professora aposentada Maria José Cantarelli, 80 anos, retornou às urnas após 12 anos de ausência, motivada pela necessidade de se posicionar em um cenário político acirrado. Apesar do medo em relação ao clima de polarização, ela baixou o aplicativo e-Título e reafirmou seu compromisso com a democracia.

Outras eleitoras, como Francisca Barroso Monteiro, 84 anos, no Maranhão, ressaltam que o direito ao voto possibilitou a conquista de direitos fundamentais, como a educação para seus filhos, e esperam que os eleitos garantam o acesso a serviços essenciais como saúde e alimentação.

Desafios como filas e a necessidade de acessibilidade foram enfrentados por eleitoras como Prazeres Maria da Silva Antunes, 72 anos, no Rio de Janeiro, e Beatriz Cintra Labaki, 79 anos, em São Paulo. Embora resoluções do TSE garantam atendimento prioritário e medidas de acessibilidade para idosos, a experiência de Beatriz em ter que subir escadas em seu local de votação evidencia a necessidade de melhorias contínuas.

A memória de tempos em que o voto era restrito ou censurado, como a vivida pela aposentada carioca Suely Mendonça, 79 anos, que participou das Diretas Já, impulsiona a emoção e o orgulho ao participar das eleições. Para ela, o voto é um ato de participação ativa na vida do país, uma conquista que deve ser celebrada e exercida com responsabilidade, buscando candidatos comprometidos com a população e a redemocratização.