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segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Relatório da ONU revela que 84,5% dos brasileiros têm algum tipo de preconceito contra as mulheres

Entre as discriminações abordadas estão questões relacionadas à integridade física da mulher, estudo universitário e cargos políticos.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta segunda-feira (12), revela que 90% da população mundial tem algum tipo de preconceito contra as mulheres. No Brasil, esse número é de 84,5%.

Os dados do “Índice de Normas Sociais de Gênero” ouviu tanto homens quanto mulheres, totalizando 85% da população mundial. O relatório revela que não houve melhora no nível de preconceito contra as mulheres na última década.

A nível mundial, 25% dos entrevistados afirmam que “é justificável um homem agredir sua companheira”. Em relação ao Brasil, 75,69% dos entrevistados acreditam ser justificável a violência física contra a mulher e têm preconceitos a respeito do direito de decisão sobre ter filhos.

A respeito da participação feminina na política, 39% da população brasileira acredita que os homens são melhores que as mulheres em cargos políticos; 49% da população mundial respondeu que homens são melhores líderes políticos do que mulheres; e apenas 27% pensa que mulheres com mesmos direitos dos homens é essencial para a democracia.

As questões econômicas também foram abordadas no estudo, 31% dos brasileiros acreditam que os homens têm mais direito a vagas de trabalho; 46% da população mundial revelou que homens devem ter mais direito a emprego que mulheres; e 43% da população mundial afirmaram que homens são melhores executivos de negócios do que as mulheres.

No ramo da educação, o estudo revela que 9% dos brasileiros afirmam que o estudo universitário é importante apenas para os homens, enquanto 28% da população mundial acredita que a universidade é mais importante para os homens

Em relação à Mato Grosso do Sul, dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) revelam que a violência contra a mulher é uma realidade no Estado. Em 2023, nove mulheres foram vítimas de feminicídio em MS; de 953 casos de estupro registrados, 878 foram das vítimas foram mulheres; e em relação à violência doméstica, de 8.709 casos, 8.815 foram contra mulheres.

Segundo a ONU, essas crenças criam obstáculos para as mulheres, desmontam os seus direitos em muitas partes do mundo, e apontam o papel crucial de governos, na elaboração de políticas públicas que promovem a igualdade de gênero.

“Normas sociais que prejudicam os direitos das mulheres também são prejudiciais para a sociedade de forma mais ampla, prejudicando a expansão do desenvolvimento humano. Na verdade, a falta de progresso nas normas sociais de gênero está ocorrendo em meio a uma crise de desenvolvimento humano: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global diminuiu em 2020 pela primeira vez na história, e novamente no ano seguinte. Todos têm a ganhar ao garantir a liberdade e autonomia para as mulheres”, disse o chefe do PNUD global, Pedro Conceição.

Fonte: Correio do Estado