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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Mudança na meta de inflação não vai alterar trajetória de queda da taxa básica de juros

Expectativa de cortes da taxa Selic no segundo semestre leva em conta o arrefecimento da inflação e o atual patamar da atividade econômica; decisão do CMN é vista como secundária.

A decisão de manter o alvo da inflação de 3% em 2026 e adotar a meta contínua a partir de 2025 não tende a interferir na trajetória de queda da taxa básica de juros da economia nacional. As apostas são de que, independentemente do veredito anunciado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), o primeiro corte da taxa Selic acontecerá no mês de agosto.

A mudança anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, permitirá que a autoridade monetária escolha um prazo determinado para perseguir a meta de inflação. Atualmente, os objetivos são anuais e não foram cumpridos nos últimos dois anos.

Na tentativa de impedir que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fure o teto da meta pelo terceiro ano consecutivo, o Copom (Comitê de Política Monetária) mantém, desde agosto do ano passado, a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, o maior patamar desde 2017.

Na ata da última reunião, divulgada na última terça-feira (27), o BC deu os primeiros indícios de que a primeira queda dos juros em um ano pode acontecer em agosto, como estima o mercado financeiro. “A continuação do processo deflacionário em curso, com consequente impacto sobre as expectativas, pode permitir acumular a confiança necessária para iniciar um processo parcimonioso de inflexão na próxima reunião”, diz o documento.

André Meirelles, diretor de alocação e distribuição da InvestSmart XP, avalia que o sistema contínuo de metas de inflação já era esperada pelo mercado e não deve alterar as expectativas de corte dos juros. “O movimento de corte da Selic está mais relacionado com os dados a serem divulgados de inflação, nível de atividade econômica e todas as suas derivadas e principalmente se a expectativa futura para inflação estará convergindo para meta ou não”, explica.

A posição de Meirelles é a mesma partilhada por Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed. Para ele, no entanto, a adoção da meta contínua é mais um dos elementos que vão contribuir para o corte da taxa básica de juros no mês de agosto. “Essa decisão ajuda a ancorar as expectativas de médio e longo prazo, o que favorece uma política monetária menos restritiva”, avalia.

“Existe um cenário macroeconômico que favorece o início do corte de juros. A decisão do Conselho Monetário é apenas mais um ponto importante a ser avaliado, porém, não é determinante. […] A decisão sozinha não é um fator crítico para a tomada de decisão, mas é um ponto de apoio que ajuda o Banco Central no ciclo de queda dos juros”, observa Jorge

Em meio a críticas do governo e do setor produtivo contra o atual nível da Selic, as expectativas inidcam para um corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros no dia 2 de agosto. Após a primeira baixa, os analistas preveem que haverá novos recuos nos meses de setembro (0,25 ponto), novembro (0,5) e dezembro (0,5), movimento que, se confirmado, levará a Selic a 12,25% ao ano na entrada de 2024.

A trajetória que está diretamente atrelada com a redução dos preços leva em conta que a taxa Selic é a principal ferramenta de política monetária para determinar a inflação em uma economia. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas opções de investimento pelas famílias.

Fonte: R7