11/03/2018 07h50
Vítima foi sequestrada, mantida em cárcere, julgada e condenada à morte
Correio do Estado
Policiais civis da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) da Vila Piratininga prenderam no início da noite de ontem, em Campo Grande, Gabriel Rondon da Silva, de 19 anos. Flagrado com drogas, confessou participação na execução John Hudson dos Santos Marques, de 27 anos, que estava desaparecido desde o dia 14 de fevereiro no Bairro Zé Pereira.
Segundo a Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios (DEH), responsável pelo inquérito, o crime foi ordenado pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC), como forma de retaliação à vítima que, supostamente, estaria ligada aos rivais do Comando Vermelho (CV). A vítima foi mantida em cativeiro, julgada e condenada à morte.
Conforme relatado, os policiais encontraram Gabriel, mais conhecido como BMW, na frente de uma casa no cruzamento da Rua Gruta Manique com a Rua Bom Giovane, no Bairro Aero Rancho. Ele não ofereceu resistência e permitiu que os policiais vasculhassem o imóvel que ele usava para se esconder. No local foi encontrada sacola com 87 porções de maconha e quatro porções de cocaína prontas para venda. O rapaz assumiu a propriedade das drogas e informou à polícia onde estaria a arma usada na execução de John.
Na esquina da Rua Betoia com a Valci Ribeiro Soares, no Mário Covas, estava um revólver calibre 38 sem munição, bem como sacola contendo pasta base de cocaína e mais porções de maconha, além de três balanças de precisão, cinco aparelhos de telefone celular, uma faca sem cabo para cortar a droga e um esconderijo no solo que, segundo ele, era usado exclusivamente pelo PCC para armazenar ilícitos de interesse da facção. Durante averiguação foi descoberto que ele trabalhava para indivíduo conhecido como Edinho, traficando para ele.
PLANO DE EXECUÇÃO
Ao ser entrevistado, afirmou que participou da execução juntamente com os comparsas identificados como Wellington Felipe dos Santos Silva, o Piranha, Leandro Caio dos Santos Costa, o Apolo e outros conhecidos como Sincero, e Coringa. Apolo, Piranha e Sincero, especificamente, ficaram encarregados de sequestrar a vítima e levar até à cantoneira, como chamam os locais usados para cárcere. O imóvel foi emprestado por Maycon Ferreira dos Santos, o Di Menor. Um preso telefonou a Gabriel informando detalhes e os motivos do homicídio.
Gabriel explicou que após ser informado, encontrou com Piranha, Sincero, Apolo e Coringa já com a vítima rendida em um automóvel Gol quatro portas. Eles foram então para a cantoneira, onde se encontraram com Di Menor, Igor Antônio Santos Lima, o Bugre, e outras pessoas que não se recorda. Após interrogatório, decidiram matar a vítima. Ele e os quatro foram até uma estrada vicinal no Indubrasil, onde assassinaram John. Sincero efetuou disparo e em seguida Coringa arrancou a cabeça. A polícia foi levada até o local onde tudo aconteceu.
O endereço seria no final da Rua Planalto Verde, quadra quatro lote 17. A equipe encontrou uma caixa de luvas descartáveis, mas não viu o corpo. Um morador nas proximidades foi questionado e informou que no dia 22 de fevereiro achou o corpo e acionou a polícia de Terenos, que esteve no local, recolheu e encaminhou para análise. Além disso, Gabriel delatou que o comparsa Apolo teria participado também da execução de outro rival do PCC, o Fininho, que também foi sequestrado, mantido em cárcere, julgado pelo tribunal do crime e condenado à morte.


