
Um mês após assinatura de acordo, pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), já trabalham com o computador quântico da IBM, atualmente o mais avançado disponível, com 200 q-bits. Até o fim do ano, espera-se desenvolver e solucionar algoritmos quânticos aplicáveis à indústria do petróleo.
Mesmo a mais de 7.750 km de distância, os pesquisadores do centro têm trabalhado com o computador quântico para solucionar equações diferenciais parciais de propagação de ondas em problemas de sísmica e algoritmos para simulações de moléculas com potencial para a captura de carbono.
“O computador fica nos EUA, nas instalações da IBM em Nova York. O acesso é feito pela nuvem e administrado pelo grupo do CBPF. O grupo brasileiro trabalha em sinergia com pesquisadores da Exxon Mobil nos EUA”, explica o coordenador do projeto, Ivan Oliveira.
Segundo ele, o acordo, assinado pelo centro e pela ExxonMobil Brasil, é uma forma de o Brasil não ficar de fora do esforço global para o desenvolvimento da computação quântica. “Para o Brasil, este acordo permite que grupos brasileiros desenvolvam novos algoritmos quânticos e estejam preparados para programarem essas máquinas na medida em que a tecnologia evolui. Esta é uma questão de soberania nacional.”
“Existe uma grande atividade na área da computação quântica, com um esforço mundial gigantesco para a superação dos problemas tecnológicos, o que levará à construção de computadores quânticos capazes de resolver problemas insolúveis para os supercomputadores clássicos e nós não podemos ficar de fora desse movimento”, finaliza o professor.
Em dezembro, antes da assinatura do acordo, o CBPF recebeu a visita de representantes da empresa para conhecer o Laboratório de Tecnologias Quânticas da unidade, o QuantumTec. O laboratório é resultado do investimento direto do MCTI, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estados do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Petrobras.
