Lei cão Orelha: nova mudança no ECA pode punir adolescentes que violentarem animais

Cão Orelha vivia na Praia Brava, no Norte da Ilha

Proposta apresentada no Senado reage ao caso de violência extrema e busca considerar animais em atos infracionais com grave ameaça e violência.

Um novo projeto de lei protocolado pretende endurecer as regras do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) para permitir a internação de menores que cometam atos de crueldade contra animais.

Batizada de “Lei cão Orelha”, a proposta é uma resposta legislativa direta à morte brutal do cão Orelha, animal comunitário na Praia Brava, em Florianópolis, e visa equiparar a gravidade desses atos à violência contra pessoas para fins de medidas socioeducativas.

O proponente do projeto de lei conhecido como “Lei Orelha” é o senador Fabiano Contarato (PT-ES). Ele também é presidente da CPI do Crime Organizado. A proposta ainda está em tramitação.

Atualmente, internação só pode ser aplicada em atos infracionais com grave ameaça e violência a pessoas, sem considerar explicitamente, também, animais.

Lei cão Orelha: nova mudança no ECA pode punir adolescentes que violentarem animais
Fabiano Contarato (PT-ES) é o autor da Lei cão OrelhaFoto: Lula Marques/Agência Brasil/ND Mais

A lei cão Orelha altera ECA

Projeto de Lei 372/2026 altera o inciso I do artigo 122 do ECA. Pela regra vigente, a medida de internação — a mais severa prevista para adolescentes — só pode ser aplicada quando o ato infracional é cometido mediante grave ameaça ou violência contra a pessoa humana.

A proposta busca incluir explicitamente a violência contra animais nesse rol, permitindo que juízes determinem a privação de liberdade em casos de sadismo e crueldade animal.

Na justificativa do texto, argumenta-se que a tortura de animais por jovens revela um traço de personalidade perigoso e alta insensibilidade, o que demanda uma resposta estatal firme para garantir a convivência social e a própria reeducação do infrator.

A “Lei cão Orelha” surge para corrigir a distorção legal que trata esses casos com brandura, mesmo diante de evidências de barbárie.

Caso cão Orelha chocou Santa Catarina

A mobilização política ocorre pouco mais de um mês após o ataque ao cão Orelha, um animal dócil cuidado por moradores do Norte da Ilha. Em janeiro, ele foi agredido com pauladas e pedradas por um adolescente.

O episódio gerou comoção nacional e expôs a fragilidade da lei atual. Embora a Polícia Civil tenha identificado e indiciado o autor principal, as limitações do ECA restringiram as consequências imediatas.

Lei cão Orelha: nova mudança no ECA pode punir adolescentes que violentarem animais
Orelha era mantido por moradores e comerciantes da Praia BravaFoto: Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

A nova legislação busca impedir que situações semelhantes terminem sem a devida responsabilização dos autores, independentemente da idade.

Relembre o caso cão Orelha

Orelha era um cão comunitário de porte médio e pelagem preta, conhecido por ser dócil e querido pelos moradores da Praia Brava, no Norte da Ilha, em Florianópolis.

O animal, que vivia na região há cerca de 10 anos, foi brutalmente agredido no início de janeiro de 2026.​

Segundo as investigações da Polícia Civil, um adolescente foi identificado como o autor das agressões que resultaram na morte do cão.

O laudo pericial apontou que Orelha sofreu traumatismo craniano causado por um objeto contundente.

Além do ato infracional análogo a maus-tratos atribuído ao menor, o inquérito indiciou familiares do jovem por coação no curso do processo, suspeitos de ameaçar uma testemunha — um vigilante local — para tentar ocultar provas do crime.

O caso gerou intensa revolta na comunidade e motivou manifestações.

Fonte: NDmais