Neste final de semana, a comunidade de Vista Alegre, em Esmeraldas (MG), sediou o Ciclos: Ecossistema de Cooperação e Transição Econômica, encontro que reuniu lideranças da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Estrada Real e Bacia do Paraopeba para debater estratégias de desenvolvimento territorial e fortalecimento de novas economias.
O objetivo do encontro foi consolidar um espaço de diálogo para ampliar a participação e mobilização social, apresentar ações governamentais para o desenvolvimento e debater estratégias de como a economia pode estar a serviço das pessoas e da natureza, além de fortalecer as redes de integração entre campo e cidade. Buscou-se também apresentar propostas para fortalecer a sustentabilidade nos territórios, valorizar a sociobiodiversidade e impulsionar cadeias produtivas que garantam renda e resiliência socioeconômica.
O evento, realizado com a coordenação do INSEA e de movimentos populares como o Movimento Indígena, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Associação de Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis (ASMARE) e a Rede de Atingidos da Região 03, reuniu cerca de 150 participantes. Estiveram presentes lideranças comunitárias, representantes de associações e cooperativas de 45 municípios, além de universidades, organizações da sociedade civil, camponeses, agricultores familiares, artesãos, extrativistas, catadores e diversas expressões da economia popular que sustentam a vida nos territórios.
Estado e sociedade: fomento e colaboração por novas economias
Representando a Secretaria-Geral da Presidência da República, a Diretoria de Parcerias com a Sociedade Civil participou da mesa “Novas Economias, Território, Trabalho e Transição” por meio de seu Coordenador-Geral de Parcerias com a Sociedade Civil, Ramon Jung Pereira. A mesa também contou também com a participação de Luciano Marcos, Diretor-Presidente do INSEA, e da Deputada Estadual Bella Gonçalves (PSOL–MG), reunindo diferentes perspectivas sobre as dinâmicas territoriais e os caminhos para o fortalecimento das economias comunitárias.
No diálogo, foram discutidos os desafios estruturais enfrentados pelos territórios e as estratégias para aproximar políticas públicas federais das práticas já existentes nas comunidades, além de reconhecer o papel central de iniciativas autogestionárias, solidárias e sustentáveis na geração de trabalho, renda e cuidado com o território.
Além das mesas temáticas, o encontro contou com oficinas de planejamento, compartilhamento de práticas territoriais e produção de encaminhamentos para fortalecer redes locais de cooperação, desenvolvimento sustentável e participação popular. Para além do debate técnico, o encontro foi marcado pela articulação entre movimentos sociais, organizações comunitárias e instituições acadêmicas comprometidas com a pauta.
Para Luciano Marcos, esse ecossistema representa uma mudança profunda na lógica produtiva dos territórios:
“Para nós, o Ecossistema de Cooperação e Transição é o caminho para organizar a economia nos territórios de uma forma totalmente nova, onde a prioridade é a vida e não apenas o lucro. O que estamos fazendo aqui é substituir a velha prática da concorrência pela metodologia da Economia da Funcionalidade e da Cooperação, construindo soluções conjuntas que integram o campo e a cidade em prol de um desenvolvimento local que seja realmente sustentável.
É um movimento feito em mutirão, em rede, onde povos indígenas, catadores e atingidos pela mineração se unem para superar as vulnerabilidades sociais e climáticas que enfrentamos. E o que mais me orgulha é ver que esse tecido social é sustentado pelo protagonismo feminino: 70% do território engajado é composto por mulheres que estão na linha de frente dessa transformação. Nosso objetivo, junto à Secretaria-Geral da Presidência, é garantir que essas experiências de autogestão e cuidado com a natureza se transformem em políticas públicas que permitam a cada comunidade retomar seus projetos de vida”
Ao sistematizar o papel do Governo Federal nesse processo de escuta e fomento, Ramon Jung destacou como a atuação institucional deve se conectar a essas realidades locais:
“Estar aqui em Esmeraldas, dialogando diretamente com catadores, camponeses, indígenas e comunidades atingidas, é materializar o que o Ministro Guilherme Boulos define como a estratégia do “pé no barro”: a retomada indispensável do trabalho de base nos territórios. A missão da nossa Diretoria de Parcerias com a Sociedade Civil é ser a ponte que conecta essa potência, aqui representada pela potência autogestionária e solidária, às políticas públicas federais por meio de parcerias. Seguimos em mutirão”.
Fonte: Secretaria-Geral

