Campo Grande recebe, na quinta-feira (26), a estreia do documentário dedicado ao repórter fotográfico Roberto Higa, profissional que ajudou a construir, com imagens, a memória histórica e afetiva de Mato Grosso do Sul. Com 30 minutos de duração, o filme “A Campo Grande de Roberto Higa”, revela a profunda relação do fotógrafo com a cidade, relembrando desde a chegada de seus pais imigrantes japoneses até sua atuação incansável como testemunha das transformações sociais, urbanas e culturais. Quando começou a fotografar, a cidade tinha cerca de 80/100 mil habitantes; hoje se aproxima de um milhão e sua câmera acompanhou, ao longo de décadas, o nascimento, o crescimento e a consolidação da capital sul-mato-grossense.
Dirigido por Israel Miranda e Marineti Pinheiro, o filme assume um tom íntimo e de reconhecimento. Para a Diretora, Higa é “a pessoa mais importante da história memorial de Mato Grosso do Sul, o mais rico memorialista visual que temos”, alguém que registrou todos os estratos da sociedade. “Seu trabalho transitou entre autoridades, personalidades e eventos de grande visibilidade — com fotografias publicadas inclusive em revistas nacionais — e também entre os invisibilizados: comunidades periféricas, pessoas em situação de vulnerabilidade, aldeias indígenas e trabalhadores anônimos que construíram a cidade, e assim o maior acervo existente no estado”. comentou.
Como repórter fotográfico, Higa documentou “tudo e todos”: das elites aos flagelados, das celebrações públicas às dores coletivas, das paisagens ainda em formação às obras que moldaram Campo Grande. Em muitos momentos, acompanhou gestores públicos como Governadores e Prefeitos, e equipes técnicas, registrando por terra e em sobrevoos a expansão urbana, tornando-se um verdadeiro cronista visual do desenvolvimento regional.
As gravações do documentário foram realizadas em espaços marcantes de sua trajetória como o Bar do Zé, a Praça Ari Coelho, além da residência do fotógrafo, e seu museu particular, locais que ajudam a contar essa história por meio da memória vivida.
A produção passou por alterações de cronograma após o diagnóstico de câncer na garganta do fotógrafo e o difícil tratamento de quimioterapia, o que tornou o processo ainda mais sensível. Em uma sessão especial antecipada para ele e sua família, Higa se emocionou ao assistir ao filme e agradeceu à equipe e aos Diretores.
O documentário foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da SECTUR e da Prefeitura de Campo Grande, reforçando a importância de preservar a memória cultural e reconhecer, ainda em vida, aqueles que ajudaram a construir a identidade do Estado. “Mais do que um filme biográfico, a obra é um tributo a quem dedicou a existência a olhar Campo Grande com profundidade humana — e a devolvê-la à sociedade em forma de memória permanente”, comenta Marineti e Israel.
Serviço : Lançamento “A Campo Grande de Roberto Higa ”
Quando: Quinta-feira (26/02) 19h
Local: Teatro do Mundo – Rua Barão de Melgaço, 177. Entrada gratuita


