O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho da série histórica recente. Segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), foram 806.011 acidentes e 3.644 mortes ao longo do ano, evidenciando um cenário preocupante para a saúde e segurança do trabalhador.
O levantamento, baseado em registros oficiais do INSS e do eSocial, aponta que, nos últimos dez anos, o país acumulou mais de 6,4 milhões de acidentes e 27 mil mortes, além de milhões de dias de trabalho perdidos em decorrência de afastamentos e incapacidades permanentes.
Entre as categorias mais afetadas estão os trabalhadores do transporte rodoviário, com destaque para caminhoneiros, que lideram os registros de óbitos.
Para o advogado trabalhista André Theodoro, os números revelam um problema estrutural que vai além de casos isolados.
“Esses dados mostram que ainda existe uma falha significativa na prevenção de acidentes no ambiente de trabalho. Segurança não pode ser tratada como custo, mas como obrigação legal das empresas”, afirma.
De acordo com a legislação trabalhista brasileira, os empregadores têm o dever de garantir um ambiente seguro, adotando medidas de prevenção, fornecendo equipamentos de proteção e cumprindo normas regulamentadoras.
Quando essas obrigações não são respeitadas, as consequências podem ser graves — tanto para o trabalhador quanto para a empresa.
“Em casos de acidente, o trabalhador pode ter direito a benefícios previdenciários, estabilidade no emprego e até indenização, dependendo das circunstâncias. Já a empresa pode responder judicialmente se houver negligência”, explica Theodoro.
Além do impacto humano, os números também refletem prejuízos econômicos significativos. Mais de 106 milhões de dias de trabalho foram perdidos em razão de afastamentos temporários, evidenciando o impacto direto na produtividade.
Para o especialista, a prevenção precisa ser prioridade.
“Investir em segurança é investir na vida do trabalhador e na sustentabilidade do negócio. Quando isso é ignorado, o resultado aparece em estatísticas como essas”, destaca.
O cenário também reforça a importância da conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos.
“Muitos trabalhadores ainda não sabem como agir após um acidente ou desconhecem seus direitos. Informação é fundamental para garantir proteção e acesso à justiça”, conclui.
Diante do aumento expressivo nos números, especialistas apontam que o debate sobre segurança no trabalho deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente com o avanço de novas normas relacionadas à saúde ocupacional.

