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sexta-feira, 8 de maio, 2026

Bebê de 48 dias morre por chikungunya e Dourados registra 10ª morte pela doença

A vítima era um menino que morava na Aldeia Bororó e estava internado no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) desde o dia 3 de maio. 

Um bebê indígena de apenas 48 dias é a mais nova vítima da chikungunya em Dourados. Com isso, o município, considerado o epicentro da doença em Mato Grosso do Sul, chega a 10 mortes confirmadas, das 15 registradas no Estado, o equivalente a 66,7% do total.

A vítima era um menino que morava na Aldeia Bororó e estava internado no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) desde o dia 3 de maio. Ele foi levado à unidade por equipes de saúde que atuam na Reserva Indígena de Dourados.

Dos dez óbitos registrados no município, nove foram de indígenas. Entre as vítimas, estão três bebês — de 48 dias, 1 mês e 3 meses — e sete adultos, em sua maioria idosos, com idades de 29, 55, 60, 63, 69, 73 e 77 anos.

Outras três mortes seguem em investigação: a de uma criança indígena de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro, e a de dois homens não indígenas, de 84 e 50 anos, moradores da área urbana de Dourados.

Dourados já confirmou mais de 3,3 mil casos

Conforme os dados do boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (8) pela Prefeitura de Dourados, o município contabiliza 8.149 notificações da doença. Desse total, 5.350 são considerados casos prováveis, 3.340 foram confirmados e 2.010 seguem em investigação. Outros 2.799 registros estão descartados.

Dourados abriga a maior reserva indígena urbana do Brasil, com mais de 20 mil habitantes. Somente nas aldeias Jaguapiru e Bororó, há 2.088 casos confirmados da doença. Além disso, os territórios indígenas somam 2.475 casos prováveis e 387 em investigação.

Atualmente, 35 pacientes seguem hospitalizados com suspeita ou confirmação de chikungunya. A taxa de positividade está em 54,4%, ou seja, mais da metade das pessoas testadas com sintomas tiveram diagnóstico confirmado para a doença. Ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, o que conforme a prefeitura, mostra que a epidemia segue ativa.

MS concentra 68% das mortes registradas no Brasil

A situação também segue crítica no restante de Mato Grosso do Sul. Em 2026, o Estado já confirmou 15 mortes por chikungunya, o equivalente a 68,2% dos 22 óbitos registrados em todo o país.

As mortes estão distribuídas em quatro municípios sul-mato-grossenses. Dourados concentra a maior parte dos registros, com 10 óbitos, em seguida aparece Bonito e Jardim, com dois casos cada um, e Fátima do Sul, com uma morte confirmada. Em todo o ano passado, Mato Grosso do Sul registrou 17 mortes pela doença.

O que é a chikungunya

Bebê de 48 dias morre por chikungunya e Dourados registra 10ª morte pela doença
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Fonte: Midiamax