Foi o próprio médico quem acionou o socorro, informando que a esposa havia tirado a própria vida com um tiro
A fisioterapeuta Fabiola Marcotti, mulher do cardiologista e cirurgião vascular João Jazbik Neto, de 78 anos, foi encontrada morta no fim da manhã desta segunda-feira (18), na chácara do casal, na zona rural de Campo Grande. Foi o próprio médico quem acionou o socorro, informando que a esposa havia tirado a própria vida com um tiro.
O cardiologista ligou para o 190 (emergência da Polícia Militar) por volta das 11h30. Ele já havia constatado o óbito e foi orientado a não permitir que acessassem o local até a chegada da PM, conforme apurado pelo Campo Grande News.
Pouco depois, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) também foi acionada, além da perícia da Polícia Civil. As equipes estão no local.
Pela Deam, as apurações estão a cargos dos delegados Analu Lacerda Ferraz e Leandro Santiago.
Um vizinho que soube do ocorrido e foi até o local afirmou à reportagem que Fabiola é bem mais nova que Jazbik e que o médico “tinha um ciúme danado” dela. “Ele ficava em cima”.
Histórico – O nome do médico já apareceu ligado a episódios controversos. Em 2013, teria sido investigado em sindicância por suposto esquema de cobrança de propina para realização de cirurgias cardíacas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na Santa Casa de Campo Grande. Na época, a direção do hospital não citou nomes oficialmente, mas um funcionário demitido relatou à imprensa que João Jazbik Neto estaria entre os suspeitos. A informação, porém, nunca foi confirmada pela Santa Casa.
A última vez que o nome foi mencionado em reportagem do Campo Grande News foi em 2019, no contexto da Operação Omertà. João esteve na casa de Jamil Name no dia em que o empresário de família tradicional campo-grandense foi preso sob a acusação de liderar milícia armada para garantir na Capital a exploração de jogos de azar.
Depois, ainda naquele ano, a defesa do alvo da operação tentou autorização judicial para que o cardiologista, apontado como médico de confiança de Name, entrasse no Centro de Triagem Anísio Lima, no Complexo Penal de Campo Grande, para atender o preso.
Vinte anos antes disso, João Jazbik Neto foi citado em matéria da Folha de S. Paulo. Dono de 5 fazendas no Pantanal e de cerca de 10 mil cabeças de gado, ele deu uma entrevista em que criticou a discussão sobre o desarmamento no Brasil. Na época, com 51 anos, ele dizia que “fatalmente” seria preso caso fosse aprovado o projeto que proíbe armas no País e que é “um absurdo” que fazendeiros tenham de andar desarmados no campo. Afirmou ainda que pertencia a um clube de tiro em Campo Grande e tinha uma coleção de 20 armas.
Fonte: Campograndenews

