Vandalizar abrigos de animais de rua pode ser considerado crime de maus-tratos e até danos ao patrimônio no Brasil, com punições severas.
Casinhas, construídas à mão, para abrigar gatos comunitários, foram covardemente incendiadas no bairro Nossa Senhora das Graças, próximo à Vila Nasser, em Campo Grande. A situação de vandalismo seria causada por vizinhos que não concordam com ações de proteção animal para os felinos de rua, segundo testemunhas.
Para a reportagem do TopMídiaNews, uma moradora do bairro, que não quis se identificar, acompanha o caso. Segundo ela, é preciso que o caso venha a público para chamar a atenção das autoridades para a causa animal e para que os culpados do ato sejam punidos.
“Os responsáveis precisam ser investigados. As casinhas estavam aqui há aproximadamente três semanas, quando um protetor independente as construiu e deixou na calçada de um terreno baldio, justamente para não incomodar ninguém”, relata.
Em imagens enviadas à reportagem, é possível perceber que as construções — agora em cinzas — estavam fora da calçada, já no terreno, o que não impedia a passagem de pedestres pelo local.
“Fui informada de que já ocorreram maus-tratos quando, certa vez, uma gata pariu em uma casinha construída perto da residência de um dos vizinhos. Esse vizinho jogou a casinha fora, sumiu com os filhotes e quebrou os potes de água e ração”, denuncia a moradora.
“A menos de duas semanas, atearam fogo no terreno baldio próximo às casinhas, onde moravam três filhotes e uma gata mãe. Agora ela está na rua e vulnerável. Tenho medo de retaliação”, complementa.
Trabalho árduo
O responsável pelos cuidados com os animais do bairro é o técnico em radiologia e protetor independente Cláudio Solano. Ele relata que percorre mais de 30 pontos de alimentação pelo bairro para realizar a alimentação de animais, troca de água e cuidados veterinários que forem necessários.
“Estou na causa animal há dois anos, entrei por amor aos animais, por ver o sofrimento deles nas ruas. As casinhas comecei a confeccionar já tem uns dois anos também e distribuímos em torno de 30 casinhas nos lugares mais vulneráveis, onde não tem abrigo”, relata.
Cláudio ainda revela que, ao longo desses dois anos, muitas casinhas já foram roubadas. “Tudo isso custa, fabricar essas casinhas. É muita atividade, logística, vai muito tempo para construir, levar, arrumar elas nos locais”.
A alimentação é feita todos os dias nos 30 pontos. “Percorro de manhã e de tarde. O ponto onde as casinhas foram queimadas eu vou todos os dias, no fim do dia, faça chuva ou faça sol. Ai de repente, eu vi ela queimada lá”, relembra.
O protetor destaca que situações assim não são novidade. “Infelizmente, muitas pessoas não gostam dos animais e não gostam da gente que dá ração para eles. Além desse problema do vandalismo, muitas pessoas que não gostam dos animais vêm arrumar confusão com a gente que alimenta. Estou respondendo há pelo menos três processos. Há pessoas que quase agridem a gente por estar colocando água e ração. É uma ignorância muito grande”.
Cláudio também relata que gatos já morreram devido a maus-tratos e outros seguem internados. “É um crime fazer isso com os animais. Precisa pegar os culpados e puni-los”.
Com gastos em torno de R$ 2 mil por mês, ele ainda pede a ajuda da população para conseguir arcar com os gastos. “Precisamos de dinheiro para comprar materiais para as casinhas e as rações apropriadas, lar temporário e até para a castração”.
Agora, o foco de Cláudio será a reconstrução dos abrigos. “Vou reconstruir as casinhas de novo. Tem uma gatinha prenha e alguns filhotes naquela região de mato. Ainda mais agora com o frio”. Para mais informações, é possível entrar em contato pelo telefone 67 9982-3717.
É crime
Vandalizar abrigos de animais de rua pode ser considerado crime de maus-tratos e até danos ao patrimônio no Brasil, com punições severas. A reportagem entrou em contato com a Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) e aguarda detalhes sobre a investigação do caso.
Fonte: Topmidianews

